Ciência

Pesquisadores indianos desenvolvem concreto com biocarvão derivado de efluentes humanos para reduzir uso de cimento

11 de Setembro de 2026 às 06:34 2 min de leitura

Pesquisadores da Universidade de Manipal criaram um método para integrar biocarvão de efluentes humanos ao concreto via pirólise. A substituição de 10% do cimento aumentou a resistência à compressão em 21% e a de flexão em 42%. O material apresentou melhor equilíbrio geral com a proporção de 5% de biocarvão

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Pesquisadores indianos desenvolvem concreto com biocarvão derivado de efluentes humanos para reduzir uso de cimento
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Pesquisadores da Universidade de Manipal, em Jaipur, na Índia, desenvolveram um método para integrar biocarvão derivado de efluentes humanos na composição do concreto. O estudo, liderado pelo engenheiro civil Raghuvesh Tiwari e aceito pela revista Nature Scientific Reports, indica que a incorporação desse resíduo pode aprimorar as propriedades mecânicas do material e reduzir a dependência de cimento na construção civil.

Processo de produção e composição

O material foi extraído de uma estação de tratamento de efluentes em Warangal, na Índia. Para a transformação do resíduo em insumo construtivo, a equipe utilizou a pirólise — aquecimento entre 350 e 450 °C com baixa disponibilidade de oxigênio. O resultado foi um biocarvão rico em carbono, que, após ser triturado e peneirado, tornou-se um pó fino apto para a mistura com os componentes tradicionais do concreto.

Impacto na resistência do material

A análise testou a substituição de 5%, 10% e 15% do cimento pelo biocarvão, monitorando a porosidade, a contração na secagem, a absorção de água e a resistência à flexão e compressão. Os resultados após 91 dias de cura revelaram que:

  • A substituição de 10% do cimento elevou a resistência à compressão em média 21% e a resistência à flexão em até 42%.
  • A proporção de 5% de biocarvão apresentou o melhor equilíbrio geral, com menor porosidade, menor contração e menor absorção de água.
  • A mistura com 15% de substituição resultou em maior presença de rachaduras, poros e áreas menos coesas, apesar de a resistência ter continuado a subir durante a cura.

Mecanismos químicos e estruturais

A melhoria no desempenho do concreto deve-se à estrutura de microporos do biocarvão, que retém água e a libera gradualmente durante o endurecimento, otimizando as reações químicas. A presença de sílica no material também favorece a formação de silicatos de cálcio ao reagir com compostos da hidratação do cimento. Adicionalmente, a granulometria fina das partículas preenche espaços microscópicos, gerando uma estrutura mais compacta.

Etapas para aplicação real

Embora a técnica permita substituir parte do cimento sem perda de qualidade, a aplicação em obras reais depende de testes complementares. A equipe de pesquisa precisa agora avaliar a resistência do material a temperaturas extremas, salinidade e ciclos de congelamento e descongelamento. Outro ponto crítico é a análise de metais pesados presentes nos efluentes para garantir que não sejam liberados com o passar do tempo.

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