Pesquisadores japoneses criam sistema que transforma água em gel para combater incêndios florestais
Pesquisadores da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio criaram o Dual-React Extinguisher, sistema que transforma água em hidrogel aderente para combater incêndios florestais. A tecnologia, que utiliza alginato de sódio e cloreto de cálcio, apresentou desempenho de extinção três vezes superior ao da água pura. O projeto recebeu prêmios de patentes no Japão e passará por testes em cenários reais
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Pesquisadores da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio, no Japão, desenvolveram o Dual-React Extinguisher, um sistema projetado para otimizar o combate a incêndios florestais. A tecnologia altera a consistência da água no momento do impacto com a superfície, transformando-a em um hidrogel aderente para evitar que o agente extintor escorra ou evapore rapidamente em terrenos inclinados e vegetações.
Funcionamento químico e mecânico
O sistema opera mantendo dois componentes separados durante o transporte: uma solução de alginato de sódio (um polissacarídeo derivado de algas) a 1% e cloreto de cálcio a 0,5 mol/l. Enquanto segregadas, ambas as misturas possuem baixa viscosidade, permitindo que fluam por mangueiras convencionais como se fossem água comum.
A transformação ocorre em aproximadamente um segundo após o encontro dos dois jatos na área afetada. Nesse instante, os íons de cálcio conectam as cadeias do alginato, criando uma rede que aprisiona o líquido e gera um gel compacto. Para viabilizar a mistura sem a necessidade de bombas extras, o protótipo utiliza acessórios Venturi, que aproveitam a queda de pressão em estreitamentos para aspirar as substâncias de seus reservatórios.
Eficiência no combate ao fogo
A principal vantagem do método é a capacidade de aderir a troncos e restos vegetais, criando uma barreira que retém a umidade e limita a exposição do combustível ao oxigênio. Essa abordagem resolve a limitação de géis preparados previamente, que costumam ser difíceis de bombear devido à alta densidade.
Testes realizados em madeira e em diversas condições experimentais, com suporte de análise de imagem para medir a cobertura e a área carbonizada, apontam resultados superiores ao uso de água pura:
- Desempenho de extinção: três vezes maior que o da água;
- Propagação do fogo: redução de 15%;
- Atraso na ignição: 1,7 vezes superior a formulações que dependem de calor para solidificar.
Próximas etapas e reconhecimento
A tecnologia, que ainda está em processo de patenteamento, recebeu o Prêmio do Comissário do Escritório de Patentes do Japão e uma distinção especial no concurso de patentes de 2025.
O grupo de pesquisa agora busca transitar do ambiente controlado para cenários reais, com a previsão de realizar um teste de conceito junto a um corpo de bombeiros local. Paralelamente, os cientistas estudam a substituição de sais e a utilização de alginato proveniente de algas residuais para aprimorar a composição do material.