Pesquisadores modificam DNA de alface e tabaco para produzir proteína animal característica da carne
Pesquisadores modificaram o DNA de alface e tabaco para produzir mioglobina suína via transformação biolística. As plantas produziram cerca de 800 mg da proteína por quilograma de peso seco, com a característica sendo hereditária. O estudo, publicado na Frontiers in Plant Science, serve como prova de conceito para ingredientes animais em vegetais
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Pesquisadores de biotecnologia vegetal conseguiram modificar o DNA de plantas de alface e tabaco para que produzissem mioglobina, uma proteína animal responsável por diversas características sensoriais da carne. O estudo, publicado na revista Frontiers in Plant Science, estabelece um precedente para o cultivo de ingredientes de origem animal em vegetais.
Processo de modificação genética
A equipe, sob a liderança de Alexia Groff, utilizou a técnica de transformação biolística. O procedimento consistiu no uso de uma "pistola genética" para inserir genes de mioglobina suína otimizados nos cloroplastos, que são as estruturas celulares encarregadas da fotossíntese.
Após a integração do material genético, as plantas foram cultivadas até a maturidade e produziram sementes. A análise posterior confirmou que a modificação foi transmitida para a geração seguinte, comprovando que a produção da proteína é estável e hereditária, dispensando a repetição do processo a cada novo plantio.
Rendimento e sustentabilidade
A produção de proteína apresentou volumes semelhantes entre as espécies testadas:
- Alface: 810 mg de mioglobina por quilograma de peso seco.
- Tabaco: 800 mg por quilograma de peso seco.
Embora a concentração seja dez vezes inferior à encontrada no músculo animal, o método demanda menos energia, água e terra do que a pecuária tradicional, atendendo à necessidade de sistemas de produção de alimentos sustentáveis.
Impacto biológico e próximos passos
As plantas modificadas mantiveram a fertilidade, a saúde e a capacidade de fotossíntese sem alterações significativas. Contudo, a equipe identificou que a incorporação do grupo hemo, essencial para a formação completa da proteína, ainda ocorre de maneira incompleta.
O projeto funciona, no momento, como uma prova de conceito. As perspectivas de aplicação incluem a extração da mioglobina das folhas para a composição de produtos vegetais com propriedades similares à carne ou, eventualmente, o consumo direto da alface modificada. O foco das próximas etapas de pesquisa será o aumento da produtividade e o aprimoramento do metabolismo do hemo.