Ciência

Pesquisadores propõem usar formações geológicas da Península Ibérica para armazenar energia renovável em larga escala

23 de Setembro de 2026 às 06:20 2 min de leitura

Pesquisadores de universidades de Lisboa propõem utilizar rochas profundas da Península Ibérica para o armazenamento de energia renovável via ar comprimido. O sistema poderia estocar até 1 TWh em depósitos a 3.000 metros de profundidade, com implementação prevista para 5 a 10 anos

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Pesquisadores propõem usar formações geológicas da Península Ibérica para armazenar energia renovável em larga escala
NASA/B. Hines

Pesquisadores da Universidade NOVA de Lisboa e do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, propõem a transformação de formações geológicas do subsolo da Península Ibérica em um sistema de armazenamento de energia em larga escala. O estudo, publicado na revista Geoenergy, detalha a viabilidade de utilizar rochas profundas para estocar o excedente de energia renovável, permitindo a recuperação desse recurso conforme a demanda da rede elétrica.

Funcionamento da bateria subterrânea

A proposta técnica consiste em aproveitar a porosidade de rochas situadas entre 500 e 3.000 metros de profundidade. Embora sólidas, essas formações possuem pequenos espaços entre os grãos que podem ser utilizados para a injeção de ar comprimido via poços. Esse processo deslocaria a água salgada naturalmente presente nos poros, mantendo o ar sob pressão.

Para a geração de eletricidade, o sistema operaria de forma inversa: em momentos de alta demanda, o ar comprimido retornaria à superfície, expandindo-se para acionar turbinas. O objetivo central é otimizar a eficiência da energia solar e energia eólica na região, evitando o desperdício de eletricidade produzida em volumes superiores à capacidade de absorção da rede.

Capacidade e estabilidade do sistema

Análises quantitativas indicam que, em cenários ideais com depósitos a 3.000 metros de profundidade, a capacidade de armazenamento poderia atingir 1 TWh. De acordo com Ricardo Pereira, pesquisador do GeoBioTec na Escola de Ciência e Tecnologia NOVA de Lisboa, esse volume seria capaz de suprir temporariamente a demanda de cidades portuguesas de médio porte.

Além da estocagem de longo prazo, a tecnologia oferece a vantagem do arranque em negro, que permite a ativação do sistema sem a necessidade de energia prévia da rede. Devido à resposta quase instantânea do ar comprimido, a ferramenta facilitaria a estabilização do equilíbrio entre produção e consumo, além de auxiliar na recuperação do sistema elétrico após apagões generalizados.

Desafios para a implementação

A transição do estudo para a aplicação prática demanda um horizonte temporal de 5 a 10 anos. O cronograma envolve a localização de formações geológicas adequadas, a realização de perfurações, a construção de protótipos e a validação do funcionamento técnico.

Atualmente, a viabilização do projeto depende também da criação de um marco regulatório específico para o armazenamento subterrâneo, etapa indispensável para que a tecnologia seja implantada em escala industrial.

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