Ciência

Pesquisadores reclassificam asteroide como cometa escuro após detectarem desvio em sua trajetória orbital

23 de Julho de 2026 às 18:08

O asteroide 1998 SH2 foi reclassificado como um cometa escuro após apresentar desvio de trajetória por propulsão interna. O estudo, publicado na Nature Astronomy, confirmou a natureza do objeto de 383 metros por meio de imagens de telescópios e análise de movimento

Pesquisadores reclassificam asteroide como cometa escuro após detectarem desvio em sua trajetória orbital
NASA/JPL-Caltech

Um corpo celeste catalogado como o asteroide 1998 SH2 apresentou um comportamento orbital anômalo, levando pesquisadores a reclassificá-lo como um cometa escuro. O estudo, publicado na Nature Astronomy, detalha que o objeto não seguia as previsões de trajetória, sugerindo a existência de uma força interna de propulsão.

Desvio de trajetória e detecção

A anomalia foi percebida quando o objeto não foi encontrado na posição prevista para o dia 30 de agosto de 2025, data em que deveria atingir sua maior aproximação da Terra, a cerca de 3,1 milhões de quilômetros. As observações confiáveis anteriores datavam de 2016.

Após descartarem falhas instrumentais, os cientistas utilizaram radares e luz visível para localizar o corpo. O objeto foi reencontrado, porém deslocado de sua rota calculada. Como não houve encontros próximos com planetas que justificassem a mudança de curso, a equipe de investigação passou a buscar causas geradas pelo próprio corpo celeste.

Reclassificação do objeto

Davide Farnocchia, engenheiro de navegação do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da NASA (JPL), afirmou que a magnitude da aceleração observada era intensa demais para ser causada por fatores externos. Essa evidência levou à hipótese de que o 1998 SH2 não seria um asteroide, mas sim um cometa.

A explicação técnica reside na expulsão de gás para o espaço, processo que gera um impulso capaz de modificar a órbita. Embora esse mecanismo seja típico de cometas, o objeto não possuía a cauda brilhante ou a envolvente característica, o que manteve sua classificação original como asteroide desde a descoberta.

Confirmação e impacto na defesa planetária

Para validar a tese, foram utilizados instrumentos de alta precisão:

  • Telescópio Canadá-França-Havaí (Mauna Kea);
  • Telescópio Dinamarquês;
  • Very Large Telescope do Observatório Europeu Austral, no Chile.

As imagens capturadas revelaram uma cauda tênue, confirmando que o corpo de aproximadamente 383 metros é, na verdade, um cometa. Farnocchia destacou que a conclusão sobre a natureza do objeto derivou primeiramente da análise de seu movimento, e não da detecção visual imediata das caudas.

A mudança de classificação é fundamental para a defesa planetária, pois as emissões gasosas podem alterar trajetórias e impactar as estimativas de risco de colisão. O episódio reforça a necessidade de monitoramento contínuo das órbitas de objetos próximos à Terra, além de sua simples descoberta.

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