Ciência

Pesquisadores registram peixe blindado que caminha pelo fundo do Mar da China Meridional

03 de Setembro de 2026 às 18:07 2 min de leitura

Pesquisadores da Universidade Sun Yat-sen registraram o comportamento do peixe Scalicus engyceros no Mar da China Meridional. O animal, observado entre 350 e 500 metros de profundidade, utiliza nadadeiras peitorais para caminhar no fundo do oceano. O estudo foi publicado na revista *Ocean-Land-Atmosphere Research

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Pesquisadores registram peixe blindado que caminha pelo fundo do Mar da China Meridional
NOAA Office of Ocean Exploration and Research

Pesquisadores da Universidade Sun Yat-sen registraram, no Mar da China Meridional, o comportamento de um peixe com características blindadas que se desloca pelo fundo do oceano por meio de movimentos semelhantes a uma caminhada. O estudo, publicado na revista Ocean-Land-Atmosphere Research, detalha a observação do Scalicus engyceros em profundidades que variam entre 350 e 500 metros.

Adaptações anatômicas e locomoção

Integrante da família Peristediidae, conhecida como "peixes vermelhos blindados", a espécie possui placas ósseas que protegem a maior parte do corpo. Embora a descrição científica do Scalicus engyceros date de 1872, as novas imagens permitiram a análise de manobras inéditas em seu habitat natural.

O animal utiliza nadadeiras peitorais rígidas e espessas para se apoiar no substrato, o que possibilita deslocamentos laterais, mudanças de direção e a capacidade de retroceder. Para escapar de ameaças, a espécie combina a ação da cauda com as nadadeiras para realizar saltos bruscos, mantendo a estabilidade através da extensão lateral de seus apêndices peitorais.

Estratégias de alimentação e percepção

A anatomia da cabeça do peixe apresenta barbilhões ramificados que lembram um rastelo. Essas estruturas são movidas continuamente sobre o sedimento para detectar presas e obstáculos por meio de estímulos químicos e físicos, permitindo que o animal cave a superfície do fundo marinho para se alimentar.

Quanto à visão, as gravações indicam que o Scalicus engyceros possui sensibilidade à luz, apesar de viver em zonas de baixa luminosidade. Durante a expedição, observou-se que o animal reagiu ao feixe de luz do veículo submarino, sugerindo que essa capacidade visual pode estar ligada à sua trajetória evolutiva ou a migrações ocasionais para águas mais rasas.

Metodologia e biodiversidade bentônica

A coleta de dados foi viabilizada pelo uso do veículo tripulado Shenhaiyongshi e do dispositivo remotamente operado Haiqin, que permitiram a observação de exemplares vivos sem a necessidade de captura. Além do Scalicus engyceros, a equipe documentou as espécies Paraheminodus murrayi e Peristedion liorhynchus.

De acordo com Han Tian, autor principal do estudo, a observação direta de organismos bentônicos em seu ambiente natural revela adaptações comportamentais e evolutivas mais complexas do que as teorizadas anteriormente, oferecendo novas perspectivas sobre a evolução de espécies das profundezas marinhas.

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