Ciência

Pesquisadores utilizam eclipses solares totais para estudar a coroa solar e o vento solar

06 de Agosto de 2026 às 15:16

O grupo Solar Wind Sherpas utiliza eclipses solares totais para estudar a coroa solar e a origem do vento solar. A astrofísica Shadia Habbal analisa a composição química e a densidade da região para investigar a disparidade térmica da atmosfera solar. As pesquisas buscam aprimorar a previsão do clima espacial e a proteção de tecnologias terrestres e orbitais

Pesquisadores utilizam eclipses solares totais para estudar a coroa solar e o vento solar
Chile

Pesquisadores internacionais do grupo Solar Wind Sherpas utilizam a ocorrência de eclipses solares totais para investigar a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. A equipe, fundada em 1995 pela astrofísica Shadia Habbal, professora do Instituto de Astronomia da Universidade de Havaí, viaja globalmente para capturar imagens e dados durante o breve período de escuridão total, momento em que a Lua se alinha entre a Terra e o Sol, permitindo a visualização dessa camada que normalmente é ofuscada pelo brilho solar.

A dinâmica da coroa solar e o vento solar

O objetivo central dessas expedições é analisar a estrutura da coroa solar, onde se originam os fluxos de vento solar. Essas trajetórias de partículas se espalham pelo espaço interplanetário e podem impactar diversos objetos, incluindo satélites em órbita e outras tecnologias essenciais.

O estudo da coroa é fundamental para a compreensão da meteorologia espacial. Quando o vento solar apresenta intensidades elevadas, ocorrem as tempestades solares. Essas rajadas de carga atingem o campo magnético terrestre com força, podendo causar o colapso de sistemas de GPS, redes de telecomunicações e infraestruturas tecnológicas, além de provocar apagões em massa devido a interrupções na rede elétrica.

Mistérios térmicos e descobertas científicas

Um dos maiores enigmas da astrofísica reside na diferença térmica do Sol: enquanto a superfície atinge cerca de 6.000 graus centígrados, a coroa solar alcança temperaturas de milhões de graus. Habbal, que possui formação em Matemática e Física e passagem pela Universidade de Harvard, utiliza os eclipses para analisar a composição química e a densidade da região, buscando entender a causa dessa disparidade térmica.

A observação durante a fase total do eclipse permite documentar a evolução de fenômenos dinâmicos, como:

  • Erupções de protuberâncias;
  • Ejeções de massa coronal;
  • Instabilidades do plasma.

Impactos para a ciência e a tecnologia

As investigações do grupo resultaram em publicações científicas com achados significativos. Habbal identificou que a alta temperatura da coroa permanece constante ao longo de um ciclo solar, um dado considerado surpreendente. Além disso, a pesquisadora descobriu a existência de linhas de campo magnético que não seguem o ciclo magnético solar, formando o chamado vento solar de fundo.

Outro avanço relevante foi a detecção de anéis de vórtice e instabilidades nas ondas de plasma que se propagam para o espaço. Esses dados são cruciais para aprimorar a previsão do clima espacial e garantir a proteção de tecnologias terrestres e orbitais.

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