Ciência

Pinguins-de-barbicha na Antártida liberam anualmente centenas de milhares de toneladas de metano

15 de Outubro de 2026 às 18:18 2 min de leitura

Colônias de pinguins-de-barbicha na Antártida emitem anualmente 490 mil toneladas de metano via decomposição de excrementos, segundo estudo do CSIC. A pesquisa indica que o volume total no continente pode atingir sete milhões de toneladas

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Pinguins-de-barbicha na Antártida liberam anualmente centenas de milhares de toneladas de metano
Pexels/Dick Hoskins

Colônias de pinguins-de-barbicha na Antártida liberam anualmente cerca de 490 mil toneladas de metano, um gás com alta capacidade de retenção de calor, superior à do dióxido de carbono, embora possua menor tempo de permanência na atmosfera. A descoberta, conduzida pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), revela uma fonte natural de emissões de efeito estufa que não havia sido contabilizada anteriormente.

Metodologia e monitoramento

O estudo foi desenvolvido pelo Instituto de Ciências Marinhas da Andaluzia (ICMAN-CSIC) em colaboração com a Universidade de Granada, com a publicação dos dados na revista Climate and Atmospheric Science. Para quantificar a liberação do gás, a equipe científica concentrou-se em duas grandes colônias situadas na Ilha Deception, nas Ilhas Shetland do Sul.

A coleta de dados envolveu a combinação de duas frentes tecnológicas:

  • Instrumentos de alta precisão: utilizados para a medição direta do metano no local.
  • Drones: equipados com sensores ópticos e multiespectrais para mapear a extensão do guano (excrementos das aves) e estimar o tamanho das populações.

Impacto ambiental e projeções

A pesquisa confirmou que a decomposição do acúmulo de guano é o processo responsável pela produção do metano. Os volumes detectados nessas colônias específicas apresentam níveis comparáveis às emissões registradas em todo o litoral terrestre do planeta.

Entretanto, a escala do fenômeno pode ser significativamente maior. Emma Huertas e Antonio Tovar, responsáveis pelo projeto DICHOSO, indicam que as emissões podem chegar a sete milhões de toneladas anuais caso seja contabilizada toda a superfície da Antártida impactada pela atividade dessas aves.

Diante desses números, os pesquisadores defendem a inclusão dessa fonte natural nos inventários globais de metano, visando compreender como as alterações climáticas podem influenciar a evolução dessas emissões.

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