Ciência

Pintinhos recém-nascidos associam sons a formas visuais horas após nascimento em surpreendente descoberta científica

06 de Março de 2026 às 09:17

Cientistas descobrem que recém-nascidos de pintinhos associam sons a formas visuais poucas horas após nascimento. Estudo publicado na revista Science revelou que as crias tendem a se dirigir para figuras arredondadas ao ouvir sons suaves e para formas pontiagudas ao ouvir sons agudos. A habilidade sugere que bases perceptivas da linguagem podem ser mais antigas do que pensava

Pintinhos recém-nascidos associam sons a formas visuais horas após nascimento em surpreendente descoberta científica
Foto: iStock

Cientistas descobrem habilidade surpreendente nos recém-nascidos de pintinhos, desafiando acreditativas sobre linguagem humana.

Um estudo recente publicado na revista Science revelou que os recém-nascidos de pintinhos são capazes de associar sons a formas visuais poucas horas após o nascimento. Esta habilidade surpreendente foi observada em um experimento conduzido por cientistas da Universidade de Pádua, onde as crias foram confrontadas com dois painéis distintos: um com uma forma arredondada e outro com uma figura angular.

Os pesquisadores utilizaram o chamado efeito Bouba-Kiki, um fenômeno bem conhecido na psicologia experimental que descreve a tendência de associar sons suaves a formas arredondadas e sons mais agudos a figuras pontiagudas. No entanto, ao invés de ser uma habilidade exclusiva da linguagem humana, o estudo sugere que essa associação pode ter uma origem mais profunda.

Os cientistas utilizaram pintinhos domésticos recém-nascidos (Gallus gallus), uma espécie considerada "precocial", ou seja, as crias nascem com os sentidos e a mobilidade já bem desenvolvidos. Isso permitiu aos pesquisadores observar o comportamento das crias logo após sair do ovo.

O experimento incluiu duas fases: uma fase de treinamento, onde os pintinhos aprenderam a circular um painel para obter comida, e uma prova principal, onde as crias eram confrontadas com dois painéis distintos enquanto ouviam sons inventados. Os resultados foram surpreendentes: quando ouviam "Kiki", as crias tendiam a se dirigir para a figura pontiaguda, enquanto ao ouvir "Bouba" preferiam a forma arredondada.

Essa descoberta tem implicações importantes para compreender como funciona o cérebro. A habilidade de associar sons e formas é compartilhada por humanos e aves, separados por mais de 300 milhões de anos de evolução. Isso sugere que certas bases perceptivas que facilitam a linguagem podem ser muito mais antigas do que se pensava.

A pesquisa abre caminho para novas investigações sobre as origens da linguagem e como funciona o cérebro, desafiando acreditativas tradicionais sobre essa habilidade humana.

Com informações de El Confidencial

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