Planta brasileira é classificada como uma das piores espécies invasoras do Havaí
A espécie brasileira guayabo fresa tornou-se a segunda planta mais abundante no Havaí, causando a perda de 27% mais água em bacias hidrográficas e favorecendo pragas agrícolas. Para conter a expansão, autoridades utilizam o inseto Tectococcus ovatus e a distribuição via drones
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A espécie Psidium cattleianum, conhecida como guayabo fresa, consolidou-se como uma das plantas invasoras mais críticas do Havaí. Introduzida no arquipélago em 1825 como fonte alimentar, a árvore, originária das florestas atlânticas do sudeste do Brasil, expandiu-se drasticamente ao longo de dois séculos, tornando-se a segunda espécie mais abundante nas ilhas em 2021.
A capacidade de colonização da planta é vasta, estabelecendo-se desde o nível do mar até altitudes de 1.500 metros, independentemente da variação nos regimes de precipitação. Devido a essa agressividade, a IUCN classifica a espécie entre as 100 piores invasoras do mundo.
Impactos ecológicos e hídricos
A proliferação do Psidium cattleianum altera a dinâmica das florestas tropicais, formando massas densas que deslocam a vegetação nativa. Esse processo compromete a estabilidade do ecossistema, favorecendo a erosão e prejudicando o crescimento de plantas locais.
Um dos danos mais significativos ocorre na gestão de recursos hídricos. Estudos da Universidade de Havaí revelaram que áreas infestadas pela espécie apresentam uma perda de água 27% superior à de florestas dominadas pela Ōhi'a lehua, impactando diretamente as bacias hidrográficas da região.
Além do desequilíbrio ambiental, a planta gera riscos agrícolas. A polpa dos frutos caídos estimula a reprodução da mosca oriental da fruta (Bactrocera dorsalis), praga que ameaça mais de 400 variedades de vegetais e frutas.
Estratégias de controle biológico e tecnológico
O controle da espécie é complexo, pois a árvore possui alta capacidade de rebrota após cortes e a dispersão de sementes é facilitada pelo consumo dos frutos por animais. Para enfrentar esse cenário, as autoridades hawaianas apostam no controle biológico utilizando o Tectococcus ovatus, um inseto também originário do Brasil.
O inseto atua provocando gales nas folhas, o que reduz a capacidade de reprodução e o desenvolvimento da planta. O objetivo, segundo Tracy Johnson, do Serviço Florestal dos EUA, não é a erradicação total, mas a redução da velocidade de expansão para permitir a recuperação de espécies nativas, como a ohia.
Para viabilizar a aplicação do inseto em áreas extensas e de difícil acesso, pesquisadores implementaram o uso de drones. Embora o método convencional apresente uma taxa de sucesso de 97,6%, a distribuição aérea via drones atinge 86,6% de eficácia, oferecendo a vantagem de cobrir o território com maior agilidade.