Planta do Deserto da Morte consegue sobreviver a temperaturas de até 60 graus Celsius
A planta Tidestromia oblongifolia, nativa do Deserto da Morte, resiste a temperaturas de 60 °C através da evaporação de água pelos estômatos. Estudo publicado no bioRxiv identificou três regiões do DNA ligadas a essa tolerância térmica hereditária. A taxa de sobrevivência dos exemplares testados variou entre menos de 2% e mais de 34%
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A espécie Tidestromia oblongifolia, planta nativa do Deserto da Morte, demonstrou a capacidade de sobreviver a temperaturas de até 60 °C, marca que se aproxima do limite térmico teórico para a existência de vida complexa. O estudo preliminar, publicado no bioRxiv, revela que a planta, também chamada de "Arizona honeysweet", utiliza um mecanismo fisiológico para reduzir a temperatura de suas folhas, evitando o colapso celular.
A planta habita a região mais seca, quente e baixa da América do Norte, onde as temperaturas de verão costumam chegar a 49 °C, com picos registrados de 56,7 °C. Enquanto a maior parte do parque permanece desprovida de vegetação devido ao clima extremo, a Tidestromia oblongifolia desenvolveu uma estratégia de sobrevivência incomum.
Metodologia e resultados de resistência
Para compreender esse fenômeno, pesquisadores coletaram sementes de 223 exemplares selvagens em diversas áreas de ocorrência da espécie. Foram cultivadas mais de 1.200 mudas, que passaram por um processo de aclimatização antes de serem expostas a 60 °C durante períodos de seis a oito horas por dia.
O experimento, que durou mais de uma semana, evidenciou variações genéticas significativas na resistência ao calor:
- A taxa de sobrevivência variou entre menos de 2% e mais de 34%, dependendo da linhagem da planta.
- Plantas resistentes mantiveram a temperatura foliar entre 54 °C e 59 °C, mesmo após oito dias de exposição ao calor extremo.
- Imagens de câmeras infravermelhas mostraram que algumas folhas permaneciam entre 10 °C e 13 °C abaixo da temperatura do ambiente.
O mecanismo de refrigeração vegetal
A sobrevivência da espécie está ligada ao funcionamento dos estômatos, poros responsáveis pela troca de gases e regulação hídrica. Ao manterem-se abertos, esses poros permitem a evaporação da água na superfície da folha, criando um efeito refrigerante análogo à transpiração humana.
Joanna Feehan, pesquisadora do Plant Resilience Institute de Michigan e autora principal do estudo, observou que a refrigeração era interrompida quando o fechamento dos estômatos era forçado, confirmando que a transpiração é a peça central dessa defesa térmica.
Base genética e hidratação
Análises de genômica apontaram a existência de três regiões do DNA ligadas à tolerância a temperaturas extremas, indicando que a característica é hereditária. As plantas que conseguiram manter as folhas mais frias ativaram rotas biológicas específicas para o transporte interno de água e a abertura dos estômatos.
A investigação sugere que as raízes da Tidestromia oblongifolia possuem alta eficiência na captação de umidade do solo. Além disso, os cientistas analisam se a conservação da hidratação celular durante a evaporação constante é auxiliada por proteínas, açúcares e sais específicos.
Embora os resultados sejam promissores para a proteção de culturas agrícolas contra ondas de calor, o estudo possui limitações. Os testes foram realizados com mudas jovens, em ambiente controlado e com oferta abundante de água. O próximo passo da pesquisa é avaliar como plantas adultas reagem à combinação real de seca e calor intenso no habitat natural do Deserto da Morte.