Plantas e muros verdes podem reduzir a poluição do ar em ambientes fechados em 30%
Estudo do GCARE, publicado na Eco-Environment and Health, indica que plantas de interior e muros verdes reduzem poluentes do ar em até 30%. A vegetação diminui a temperatura local entre 0,5 e 4,5 graus, podendo reduzir o gasto energético com refrigeração em 27%
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A presença de plantas de interior e a instalação de muros verdes podem reduzir a concentração de poluentes do ar em ambientes fechados em até 30%. A descoberta é fruto de um estudo internacional liderado pelo Centro Global de Pesquisa de Ar Limpo (GCARE), da Universidade de Surrey, no Reino Unido, e publicado na revista científica Eco-Environment and Health.
A pesquisa, que contou com a colaboração de 35 especialistas globais, analisou a eficácia da vegetação passiva no combate aos compostos orgânicos voláteis (COV). Esses gases tóxicos são emitidos por itens cotidianos em residências e escritórios, como tintas, móveis e produtos de limpeza.
Validação de dados históricos
Os resultados atuais atualizam e confirmam conclusões publicadas pela NASA ainda no final da década de 80. No relatório Interior Landscape Plants for Indoor Air Pollution Abatement, a agência espacial americana já havia identificado a capacidade de espécies como samambaia, hera, ficus, palmeira e sansevieria em absorver substâncias nocivas, especificamente o benzeno, o formaldeído e o tricloroetileno.
Impacto térmico e eficiência energética
Além da purificação do ar, a vegetação interna atua como um regulador de temperatura. O estudo do GCARE observou que as plantas conseguem reduzir a temperatura local em seu perímetro imediato entre 0,5 e 4,5 graus.
Essa característica impacta diretamente o conforto térmico em ambientes corporativos e possui um reflexo econômico e sustentável: a redução do consumo de energia destinado à refrigeração de edifícios pode chegar a 27%.
Variáveis de desempenho
A capacidade de filtragem do ar não é constante, dependendo de fatores específicos para ser otimizada. O desempenho das plantas varia conforme:
- A espécie vegetal selecionada;
- O tipo de iluminação e a ventilação do local;
- O sistema de plantio (sistemas que realizam a extração ativa do ar através do substrato são mais eficientes que vasos convencionais).
Prashant Kumar, autor principal do estudo e diretor fundador do GCARE, afirma que a coleta dessas evidências estabelece um ponto de referência para decisões informadas sobre a implementação de vegetação em interiores, embora ainda existam lacunas de conhecimento que demandem medições fora do ambiente laboratorial.