Polvo listrado utiliza metades de conchas de coco para construir abrigos na Indonésia
O polvo listrado utiliza metades de conchas de coco como abrigos temporários nas costas de Sulawesi e Bali, na Indonésia. Um estudo publicado na Current Biology registrou animais transportando as peças por até 20 metros para defesa contra predadores
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O polvo listrado (Amphioctopus marginatus) utiliza metades de conchas de coco para construir abrigos temporários no fundo do mar, evidenciando a capacidade de invertebrados em empregar ferramentas para a própria defesa. A observação desse comportamento ocorreu nas costas de Sulawesi e Bali, na Indonésia, e os resultados foram publicados na revista Current Biology em 15 de dezembro de 2009.
Metodologia e observação
A descoberta foi fruto de um estudo conduzido entre 1999 e 2008, que somou mais de 500 horas de mergulhos. Os pesquisadores Julian Finn, Tom Tregenza e Mark Norman monitoraram mais de 20 exemplares da espécie, registrando quatro episódios em que os animais transportavam as conchas por distâncias de até 20 metros.
Para realizar o deslocamento, o animal utiliza uma técnica denominada caminhar sobre troncos, na qual posiciona as peças sob o corpo e avança apoiando-se nos braços. Esse método de locomoção é lento e desajeitado, o que torna o polvo mais vulnerável a predadores durante o trajeto.
Estratégia de sobrevivência
Diferente dos caranguejos ermitões, que vivem permanentemente dentro de suas conchas, o polvo listrado transporta as metades de coco sem proteção imediata. A utilidade do objeto manifesta-se apenas no momento da ameaça: o animal empilha as duas partes ao redor do corpo, criando uma fortaleza portátil.
A coleta e o transporte de materiais para uso posterior caracterizam a ação como o uso de ferramentas defensivas, embora a pesquisa não tenha comprovado se existe um planejamento consciente de ações futuras por parte do molusco.
Adaptação ambiental
A hipótese levantada pelos cientistas é que essa habilidade tenha evoluído do hábito de utilizar conchas de moluscos como refúgio. Com a presença de conchas de coco descartadas por populações costeiras na Indonésia, os polvos teriam adaptado seu comportamento para aproveitar esse recurso, que é leve e resistente, como alternativa de proteção no ambiente marinho.