Ciência

População nos Andes argentinos desenvolveu adaptação genética para tolerar arsênio na água

30 de Março de 2026 às 09:14

Cientistas confirmaram uma adaptação genética única de moradores nos Andes argentinos que lhes permite metabolizar o arsênio. A pesquisa foi feita na cidade San Antonio de los Cobres, localizada a 3.700 metros acima do nível do mar. O estudo mostrou que as variantes no gene AS3MT favorecem a conversão eficiente da substância em formas menos nocivas.

Essa adaptação genética foi resultado da seleção natural após exposição prolongada de altos níveis de arsênio durante pelo menos 7 mil anos. A pesquisa é considerada uma das primeiras evidências claras de evolução humana em resposta a um agente químico tóxico.

Os científicos enfatizam que esse achado expande o conhecimento sobre como o ambiente pode moldar nossa biologia e reforça a ideia de que os seres humanos continuam mudando

População nos Andes argentinos desenvolveu adaptação genética para tolerar arsênio na água
EFE/Luis Gandarillas

A descoberta mais recente na área da genética humana revela que uma população nos Andes argentinos desenvolveu uma adaptação única para tolerar o arsênio. Esse agente químico, presente na água de algumas regiões do norte da Argentina, seria perigoso para a maioria das pessoas em todo o mundo.

Os cientistas que lideraram essa pesquisa noticiada há mais de uma década observaram inicialmente que alguns habitantes dessa área metabolizavam o arsênio diferentemente. Essa descoberta foi agora confirmada por meio do estudo genético dos moradores da cidade San Antonio de los Cobres, situada a 3.700 metros acima do nível do mar.

O DNA dessas pessoas apresentou variantes relacionadas ao gene AS3MT, que desempenha um papel crucial no processamento do arsênio. O estudo mostrou que essas características genéticas favorecem a conversão eficiente da substância em formas menos nocivas.

A chave para esse fenômeno está na seleção natural. A exposição prolongada de altos níveis de arsênio durante pelo menos 7 mil anos teria favorecido os indivíduos com maior capacidade de tolerá-lo, permitindo que sobrevivessem e transmitissem essa vantagem genética.

Os científicos enfatizam que esse achado é uma das primeiras evidências claras de evolução humana em resposta a um agente químico tóxico. Esse resultado amplia o conhecimento sobre como o ambiente pode moldar nossa biologia e reforça a ideia de que os seres humanos continuam mudando, não apenas diante dos fatores clássicos da altitude ou do clima, mas também em resposta às ameaças invisíveis presentes no seu meio.

Com informações de El Confidencial

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