Ciência

Primeiro teste com polilaminina em humanos indica recuperação motora em seis de oito pacientes

04 de Agosto de 2026 às 15:06

Revista Spinal Cord publicou teste com polilaminina em oito pacientes com lesão medular completa, relatando recuperação motora em seis deles. O estudo indicou a segurança da substância, sem eventos adversos graves ou óbitos relacionados ao procedimento. A versão final corrigiu falhas de dados e taxas de recuperação presentes em publicação preliminar

A revista científica Spinal Cord, do grupo Springer Nature, publicou nesta terça-feira (4) os resultados do primeiro teste com polilaminina em seres humanos. O objetivo central do estudo foi verificar a segurança da aplicação da substância diretamente na medula espinhal.

O acompanhamento envolveu oito pacientes com lesão traumática da medula classificada como completa. De acordo com o relato, seis desses indivíduos apresentaram algum nível de recuperação motora. O artigo detalha, ainda, os exames realizados para descartar o choque medular, estado temporário que pode mascarar a gravidade real da lesão no momento inicial.

Segurança e intercorrências

Os dados indicam que não houve eventos adversos graves ou piora neurológica vinculada ao procedimento. Durante o período de acompanhamento, três pacientes faleceram devido a quadros de sepse, tamponamento cardíaco e pneumonia. Tais óbitos foram analisados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e não foram relacionados à aplicação da substância.

Limitações e revisões do estudo

A publicação definitiva ocorre após a divulgação de um pré-print em 2024, versão que havia sido recusada por outros periódicos. A pesquisadora Tatiana Sampaio admitiu a existência de falhas no texto preliminar, incluindo um erro em um gráfico que indicava 400 dias de acompanhamento para um paciente que, na realidade, faleceu cinco dias após a intervenção. A falha foi corrigida na versão final.

Outro ponto de ajuste refere-se à taxa de recuperação espontânea. Enquanto o pré-print mencionava 9%, o artigo publicado cita uma variação entre 0% e aproximadamente 15%. Anteriormente, revisores haviam apontado estudos com taxas próximas a 40%.

Análise dos resultados

A conclusão de que os resultados são superiores ao esperado baseia-se no fato de que 75% da amostra (seis de oito pacientes) apresentou melhora. No entanto, a ausência de informações sobre quantos pacientes foram avaliados e descartados do estudo, somada à falta de um grupo de controle, limita a interpretação dos dados.

Como não houve a comparação com pacientes semelhantes que não receberam a polilaminina, não é possível determinar se a evolução motora foi causada pela substância, por fisioterapia, por intervenção cirúrgica ou por recuperação natural. Para validar a eficácia do tratamento, serão necessários estudos mais amplos com grupos de comparação.

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