Profundidade do hipocentro determinou a baixa intensidade de terremoto de magnitude 7,8 em Granada
Um terremoto de magnitude 7,8 em Granada, em 1954, causou danos pontuais e nenhuma vítima devido ao hipocentro a 657 quilômetros de profundidade. Em contraste, um sismo de magnitude 6,5 em 1884 resultou em até 900 mortos e 4.400 prédios destruídos. A região é a única da Península Ibérica com registros de sismos acima de 500 quilômetros de profundidade
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A profundidade do hipocentro é o fator determinante para a diferença entre a energia liberada por um sismo e os danos causados na superfície, conforme demonstram registros históricos na província de Granada, na Espanha. O caso emblemático ocorreu em 29 de março de 1954, quando um terremoto de magnitude 7,8 atingiu a região. Apesar da alta magnitude, o evento não causou vítimas e resultou em danos pontuais, registrando intensidade máxima de grau V na escala macrosísmica europeia EMS-98.
A influência da profundidade sísmica
A baixa intensidade sentida na superfície em 1954 ocorreu porque o hipocentro do tremor estava localizado a 657 quilômetros de profundidade, aproximando-se do limite de 700 quilômetros da sismicidade conhecida. Diferente de sismos superficiais, as ondas geradas em Dúrcal percorreram centenas de quilômetros pelo interior do planeta, processo que distribui a energia e atenua a amplitude das ondas antes que elas atinjam a terra firme.
Essa dinâmica evidencia a distinção técnica entre magnitude, que mede a energia no ponto de origem, e intensidade, que reflete a força da sacudida percebida pela população.
Comparativo de impacto e letalidade
O impacto da profundidade torna-se evidente ao comparar o evento de 1954 com o terremoto de 25 de dezembro de 1884 em Arenas del Rey. Naquela ocasião, a magnitude estimada foi de 6,5 Mw — consideravelmente inferior aos 7,8 de Dúrcal —, porém a intensidade foi drasticamente maior, atingindo os níveis IX-X.
De acordo com dados do Instituto Geográfico Nacional, as consequências em 1884 foram devastadoras:
- Vítimas: Entre 750 e 900 mortos.
- Edificações: 4.400 prédios destruídos e 13.000 estruturas afetadas.
Além da profundidade, outros fatores contribuem para a gravidade de um sismo, como a densidade urbana, a vulnerabilidade das construções, as características da falha, o tipo de solo, a distância dos centros populacionais e a preparação para riscos sísmicos.
Particularidades geológicas de Granada
Granada destaca-se como a única província da Península Ibérica com registros de terremotos acima de 500 quilômetros de profundidade. Estudos de tomografia sísmica indicam que, sob o Mar de Alborán e as Cordilheiras Béticas, existe uma massa que desce centenas de quilômetros em direção ao manto, interpretada como um fragmento frio da litosfera. A sismicidade profunda concentra-se justamente próximo ao extremo inferior dessa estrutura.
A ciência ainda busca compreender como rupturas ocorrem em profundidades tão extremas, onde a temperatura e a pressão elevadas dificultam os mecanismos convencionais de sismos. As hipóteses atuais investigam a fusão localizada e a transformação de minerais específicos, embora nenhuma teoria explique a totalidade dos episódios registrados na região.