Programa Copernicus da União Europeia utiliza satélites para monitorar incêndios florestais na Espanha
O programa Copernicus, da União Europeia, utilizou satélites da frota Sentinel para monitorar incêndios florestais em Madrid e Ávila. A tecnologia integra sensores de radar, ópticos e térmicos para delimitar perímetros de fogo e emitir mapas de resposta rápida. O sistema combina dados orbitais com inteligência artificial para análise de riscos e precisão topográfica
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A tecnologia de monitoramento espacial da União Europeia, o programa Copernicus, desempenha um papel fundamental na gestão de crises ambientais, como observado nos recentes incêndios florestais nas regiões de Madrid e Ávila. A integração de diferentes sensores orbitais permitiu acompanhar a evolução de focos de fogo que ameaçavam se unir e formar um incêndio de proporções históricas no Sistema Central.
A infraestrutura de monitoramento Sentinel
O sistema baseia-se em uma frota de satélites com capacidades complementares para superar obstáculos físicos, como a densidade da fumaça, que costuma bloquear a visão de câmeras convencionais e meios aéreos.
- Sentinel-1: Utiliza tecnologia de radar, capaz de atravessar nuvens e colunas de fumaça para delimitar com precisão o perímetro do fogo.
- Sentinel-2: Focado em imagens ópticas de alta resolução para a análise de vegetação e corpos d'água.
- Sentinel-3: Monitora a temperatura da superfície e dados terrestres e oceânicos.
- Sentinel-4, 5 e 5P: Dedicados à medição da poluição e qualidade do ar.
- Sentinel-6: Responsável pela calibração do nível do mar.
Para aumentar a precisão, o Copernicus combina seus dados (com resolução de 10 metros por pixel) com operadores privados, alcançando imagens de até meio metro por pixel. Essa resolução permite avaliar rapidamente a situação de residências e infraestruturas sob ameaça. Além disso, os sensores detectam a radiação térmica de pontos quentes escondidos sob a copa das árvores.
Resposta rápida e soberania tecnológica
Idealizado em 1998 para reduzir a dependência da plataforma americana Landsat, o programa teve seu primeiro lançamento em 2014. Essa autonomia tecnológica segue a mesma lógica do sistema Galileo, alternativa ao GPS.
Um dos principais diferenciais é a "cartografia rápida". No caso dos incêndios em Ávila, o alerta foi emitido às 11h e o primeiro mapa analisado foi entregue ao centro de comando às 15h, permitindo a distribuição eficiente de recursos. Esses dados são integrados por instituições como o CSIC, que utilizam drones e modelos preditivos para antecipar a direção das chamas.
O papel da Inteligência Artificial e o "Earth Action"
O volume massivo de dados gerados por satélites exigiu a evolução do processamento. A tendência atual, denominada Earth Action por agências como a NASA e a ESA, visa transformar a observação em ação imediata no terreno através da inteligência artificial.
Nesse contexto, surgiram modelos fundacionais como o Prithvi (NASA/IBM) e a família TerraMind (ESA). Esses algoritmos são escaláveis e leves — com versões de apenas 25 megabytes —, permitindo que o processamento ocorra em laptops, celulares ou até mesmo dentro do próprio satélite em órbita.
A IA possibilita:
- Análise de risco: Quantificação de volume de arbustos e mato acumulado para prever áreas críticas quando combinada com dados meteorológicos.
- Precisão topográfica: O uso do ImpactMesh, que une imagens de radar e ópticas ao perfil de elevação do terreno, aumenta a precisão da área afetada em regiões montanhosas em mais de 5%.
Desafios de implementação e futuro
Apesar de as ferramentas estarem disponíveis em código aberto em plataformas como o Hugging Face, existe um distanciamento entre a capacidade tecnológica e a aplicação prática no campo.
A evolução do setor aponta para o uso de edge computing, com algoritmos instalados em dispositivos dentro das florestas para detecção local de riscos. O objetivo final é a transição da simples observação para a otimização matemática da resposta, calculando em tempo real a quantidade de pessoal e a coordenação necessária para conter incêndios de forma mais eficaz.