Projeto britânico convoca voluntários para ajudar a localizar buracos negros na Via Láctea
O projeto Black Hole Hunters mobiliza voluntários na plataforma Zooniverse para localizar buracos negros na Via Láctea. A iniciativa utiliza dados do satélite TESS e algoritmos para identificar fenômenos de microlente gravitacional através da análise de luminosidade estelar. Desde outubro de 2021, quase 23 mil participantes realizaram mais de 12 milhões de classificações
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Pesquisadores do Reino Unido mobilizam a sociedade civil para localizar buracos negros ocultos na Via Láctea por meio do projeto Black Hole Hunters. A iniciativa, disponível na plataforma de ciência cidadã Zooniverse, combina a análise de dados de telescópios espaciais, algoritmos de inteligência artificial e a percepção humana para identificar esses objetos massivos.
Atualmente, a astronomia registrou cerca de 50 buracos negros em nossa galáxia, embora as estimativas indiquem que a quantidade real possa chegar a dezenas de milhões. Para ampliar esse catálogo, o projeto utiliza informações do satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), da Nasa, que, apesar de ter sido projetado para a busca de exoplanetas, monitora a luminosidade de vastas quantidades de estrelas.
O método de detecção e a ciência cidadã
A identificação de um buraco negro é complexa porque esses objetos, formados pelo colapso de estrelas massivas que esgotaram seu combustível nuclear, possuem uma gravidade tão intensa que impedem a saída da luz. Por serem invisíveis, a detecção ocorre através da observação de seus efeitos no entorno, especificamente por meio de um fenômeno chamado microlente gravitacional.
Esse processo acontece quando a gravidade de um objeto massivo curva a luz de uma fonte situada atrás dele. No caso de sistemas binários — onde uma estrela orbita um buraco negro originado de sua antiga companheira —, o alinhamento favorável com a Terra faz com que o buraco negro passe entre a estrela e os observadores, provocando um aumento temporário no brilho da estrela.
A triagem dos dados segue um fluxo híbrido:
- Algoritmos automatizados: Realizam a varredura inicial de milhões de estrelas.
- Voluntários: Analisam os gráficos de luminosidade para descartar falsos positivos, como pulsações ou erupções estelares, que podem confundir a inteligência artificial.
- Validação: Cada gráfico é avaliado por múltiplas pessoas para minimizar erros individuais.
Adam McMaster, astrônomo da Universidade de Southampton e um dos líderes da iniciativa, explica que a tarefa é simples e não exige formação técnica, bastando que o participante reconheça os padrões ensinados pela equipe científica. O trabalho dos voluntários define os alvos prioritários para que os telescópios sejam apontados com precisão.
Alcance e expansão da pesquisa
Desde outubro de 2021, o Black Hole Hunters reuniu quase 23 mil voluntários, que já realizaram mais de 12 milhões de classificações. Além dos dados do TESS, a pesquisa utilizou informações do levantamento terrestre SuperWASP, coletadas entre 2004 e 2016, cujos resultados ainda passam por análise.
A classificação feita pelo público não confirma a existência do objeto, mas gera uma lista de candidatos promissores. A confirmação final exige observações astronômicas detalhadas e complementares, processo que demanda tempo e recursos.
Para otimizar a busca, os cientistas planejam integrar dados de novos instrumentos, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, e a missão Euclid, da Agência Espacial Europeia. O objetivo é cruzar diferentes conjuntos de informações para tornar a identificação de novos objetos compactos mais eficiente.