Ciência

Projeto espanhol desenvolve fachadas com materiais fotoluminescentes para reduzir a temperatura de edifícios

19 de Julho de 2026 às 09:08

O projeto COLD SURFACE, na Espanha, desenvolve fachadas com materiais fotoluminescentes para reduzir a temperatura externa de edifícios em até 2°C. A tecnologia converte radiação ultravioleta em luz visível, visando a economia de 5% a 10% no consumo de energia para refrigeração. A iniciativa é coordenada pela URDECON com apoio do IETCC-CSIC, AIMPLAS e financiamento da União Europeia e governo espanhol

Projeto espanhol desenvolve fachadas com materiais fotoluminescentes para reduzir a temperatura de edifícios
Aimplas

Sistemas de vedação arquitetônica estão sendo redesenhados na Espanha para deixar de ser meras barreiras físicas e se tornarem ferramentas ativas no combate ao calor. O projeto COLD SURFACE desenvolve fachadas capazes de gerenciar a radiação solar para evitar que residências acumulem energia térmica nos períodos mais quentes, reduzindo a dependência de aparelhos de ar condicionado.

A iniciativa prevê a criação de superfícies que reduzam a temperatura externa dos edifícios em até 2°C. Essa alteração térmica deve proporcionar uma economia entre 5% e 10% no consumo de energia voltado para a refrigeração dos ambientes.

Tecnologia de materiais fotoluminescentes

O diferencial técnico da proposta consiste na integração de materiais fotoluminescentes em sistemas de vedação pré-fabricados. Diferente dos revestimentos refletivos ou tintas brancas tradicionais, essa tecnologia absorve a radiação ultravioleta e a converte em luz visível. Esse processo impede que grande parte da energia solar seja transformada e armazenada como calor nas paredes.

O desenvolvimento é coordenado pela URDECON, com a colaboração do Instituto de Ciências da Construção Eduardo Torroja (IETCC-CSIC) e da AIMPLAS. Um dos focos da pesquisa, liderada por Arsenio Navarro na AIMPLAS, é garantir que esses materiais sejam produzidos sem o uso de terras raras, evitando a dependência de matérias-primas críticas para a Europa e assegurando a compatibilidade com o concreto e maior durabilidade.

Testes de desempenho e impacto urbano

Para validar a eficácia da tecnologia, o projeto implementará protótipos em escala real e novas metodologias de teste. O objetivo é monitorar se as propriedades dos materiais resistem a fatores ambientais como poluição, umidade, chuva e oscilações térmicas ao longo dos anos.

Gloria Pérez, pesquisadora do IETCC-CSIC, destaca a ausência de protocolos generalizados para medir o desempenho desses componentes em edifícios completos. Por isso, o projeto visa criar novos métodos de simulação e teste para quantificar a capacidade dessas fachadas de mitigar o efeito de ilha de calor urbana.

A aplicação desses sistemas em escolas, hospitais e residências pode aliviar a pressão sobre a rede elétrica durante ondas de calor, momento em que a demanda por refrigeração atinge o pico. O COLD SURFACE é financiado pela Agência Estatal de Pesquisa, via Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, com cofinanciamento da União Europeia e fundos FEDER.

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