Projeto no Reino Unido extrai energia geotérmica e lítio a cinco quilômetros de profundidade
A Geothermal Engineering Limited extrai energia geotérmica e lítio por meio de uma perfuração de cinco quilômetros em Cornwall, no Reino Unido. A usina utiliza calor de rochas graníticas para gerar eletricidade para 10 mil residências. A água é reinjetada no subsolo após a retirada do mineral
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Uma perfuração de cinco quilômetros de profundidade em Cornwall, no Reino Unido, viabilizou a extração de energia geotérmica profunda como alternativa ao petróleo. O projeto, conduzido pela Geothermal Engineering Limited, utiliza o calor de rochas graníticas para extrair água a temperaturas que superam os 190°C, volume suficiente para acionar turbinas e gerar eletricidade limpa.
Diferente de outras fontes renováveis, como a solar ou a eólica, essa tecnologia opera sem intermitência, permitindo a produção de energia 24 horas por dia. A infraestrutura está instalada próxima a Redruth e utiliza a Zona de Falha de Porthtowan para bombear a água quente à superfície. Atualmente, a usina tem capacidade para abastecer cerca de 10 mil residências.
O sistema funciona de forma híbrida: após a geração de energia, a água é resfriada a aproximadamente 50°C, estágio em que se inicia a extração de lítio. Esse mineral é essencial para a produção de baterias de veículos elétricos, com potencial futuro para suprir centenas de milhares de carros anualmente. Para garantir a sustentabilidade do reservatório térmico e a continuidade do ciclo, a água é reinjetada no subsolo após a retirada do mineral.
A escolha de Cornwall deve-se às suas formações graníticas, que armazenam calor com eficiência e facilitam a exploração em larga escala com baixo impacto ambiental. O diretor executivo da empresa, Ryan Law, compara a iniciativa ao aproveitamento de uma usina nuclear subterrânea, resultado de um desenvolvimento tecnológico de quase duas décadas.
Além do ganho energético, a operação promoveu a criação de postos de trabalho para geólogos, engenheiros e técnicos, além de fomentar parcerias com comunidades locais e centros educacionais. A iniciativa visa ampliar a independência energética do país e reduzir a necessidade de importação de matérias-primas, servindo como um modelo replicável em outras regiões com geologia semelhante para a substituição gradual de combustíveis fósseis.