Proposta científica sugere que a Lua pode conter resíduos tecnológicos de civilizações extraterrestres
Uma proposta científica sugere a análise de um metro cúbico de regolito lunar para buscar partículas submicrométricas de resíduos tecnológicos extraterrestres. A ausência de atividade geológica na Lua facilitaria a preservação desses vestígios materiais da Via Láctea. A pesquisa visa definir limites para a produção de materiais por civilizações tecnológicas em estrelas similares ao Sol
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F491%2F269%2Fd57%2F491269d570431befd3964ea1b8fefeec.jpg)
Uma nova proposta científica sugere que a Lua pode funcionar como um arquivo histórico de resíduos tecnológicos de civilizações extraterrestres. A estratégia consiste em analisar um metro cúbico de regolito lunar em busca de partículas de poeira submicrométricas, que seriam fragmentos de estruturas antigas da Via Láctea capazes de sobreviver por milhões de anos ao vagarem pelo espaço interestelar.
Diferente da busca por sinais eletromagnéticos, que depende de transmissões ativas, essa abordagem foca em vestígios materiais. A ausência de atividade geológica no satélite natural da Terra o torna um local privilegiado para a preservação desses detritos, atuando como um museu que armazena registros dos últimos 4,5 bilhões de anos, período que abrange o terço final da história do universo.
Viabilidade e limites da detecção
Um estudo preliminar avaliou a sobrevivência de grãos micrométricos no espaço, considerando a pulverização catódica e a fricção do gás. A análise indica que partículas com cerca de 0,3 micrômetros e alta resistência à fratura poderiam suportar trajetórias de até um milhão de anos, resistindo ao vento solar e à radiação antes de se depositarem na superfície lunar.
A pesquisa estabelece que a análise de um metro cúbico de regolito permitiria definir um limite para a produção de materiais por civilizações tecnológicas. Caso nenhuma partícula artificial seja encontrada nesse volume, seria possível descartar a hipótese de que estrelas similares ao Sol tenham dispersado mais de 9% da massa da Terra em resíduos tecnológicos ao longo da história da galáxia.
Desafios de escala e massa
A dificuldade de encontrar tais vestígios é evidenciada pela comparação com a produção humana. Um levantamento de 2020 indicou que a massa antropogênica — o peso de todas as estruturas e máquinas construídas pela humanidade — soma aproximadamente 1,1 bilhão de toneladas métricas, superando a biomassa viva do planeta.
Mesmo em um cenário onde cada estrela do tipo solar dispersasse a mesma quantidade de material que a Terra, a densidade dessa poeira tecnológica seria bilhões de vezes menor que a da poeira interestelar natural. Além disso, a Lua recebe anualmente cerca de 10 mil toneladas de poeira natural. Para efeito de comparação, as missões espaciais humanas depositaram apenas 181 toneladas de material no satélite no último século, o que representa menos de uma fração de 5.000 da massa total acumulada no mesmo período.
Interferências e a hipótese de exploração deliberada
A detecção é dificultada pelo pó zodiacal, uma nuvem de partículas interplanetárias provenientes majoritariamente de colisões de asteroides e cometas da família de Júpiter, dos quais menos de 1% tem origem interestelar. Somado a isso, a superfície lunar sofreu pulverização constante por impactos meteoríticos durante bilhões de anos.
Contudo, a probabilidade de encontrar tecnologia extraterrestre aumentaria significativamente se houvesse um esforço deliberado de exploração do sistema solar interno. Objetos interestelares de grande porte, como o 1I/'Oumuamua, 2I/Borisov ou 3I/ATLAS, poderiam ter liberado sondas programadas para orbitar a Terra e a Lua, concentrando a densidade de tecnologia artificial em torno do nosso planeta, diferentemente da dispersão aleatória no espaço interestelar.