Proposta sugere explosão nuclear submarina para acelerar a captura de dióxido de carbono no oceano
Andy Haverly propõe a detonação de uma explosão nuclear de 81 gigatoneladas na meseta de Kerguelen para fragmentar basalto e acelerar a captura de dióxido de carbono. O projeto teórico estima um custo de 10 bilhões de dólares para capturar emissões globais de 30 anos
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Uma proposta teórica sugere a detonação de uma explosão nuclear submarina para acelerar a captura de dióxido de carbono e mitigar as mudanças climáticas. A ideia, apresentada por Andy Haverly, engenheiro de software e ex-estudante de pós-graduação no Rochester Institute of Technology, em artigo pré-publicado no arXiv, baseia-se no processo de meteorização de rochas alcalinas.
O mecanismo consiste na reação de rochas como o basalto com o CO2 dissolvido na água do mar, transformando o gás em minerais carbonatados estáveis. Para que essa reação ocorra em escala global, seria necessário aumentar a área de contato do mineral, o que normalmente exigiria a trituração mecânica de volumes massivos de rocha — processo que Haverly aponta como excessivamente lento e demandador de energia.
A magnitude da detonação e a viabilidade técnica
Para superar a limitação da trituração mecânica, a proposta prevê a fragmentação de grandes massas rochosas no fundo do oceano por meio de uma carga nuclear. Os cálculos indicam a necessidade de uma energia de aproximadamente 81 gigatoneladas de TNT, potência estimada para capturar o equivalente a 30 anos de emissões globais.
A escala do projeto é drasticamente superior a qualquer teste nuclear anterior. A bomba "Zar", o dispositivo mais potente já detonado pela União Soviética, atingiu cerca de 50 megatons, sendo a proposta de Haverly 1.000 vezes mais potente.
O local sugerido para a operação é a meseta de Kerguelen, no oceano Austral. A região foi escolhida por ser rica em basalto e afastada de centros populacionais. O plano prevê o enterrio do dispositivo a vários quilômetros de profundidade, utilizando a espessura da formação geológica e a profundidade do mar para conter a radiação e os impactos da detonação.
Custos e precedentes históricos
O custo estimado para a execução da proposta é de 10 bilhões de dólares, valor que o autor considera inferior aos prejuízos econômicos causados pelo aquecimento global. Haverly argumenta, ainda, que a radiação liberada seria limitada se comparada a outras fontes.
A abordagem remete ao Projeto Plowshare, iniciativa dos Estados Unidos na década de 1960 que investigou usos civis de explosões nucleares, como a abertura de canais. Contudo, a magnitude da energia proposta para a captura de carbono supera qualquer experimento realizado naquele período.
Questionamentos e limitações
A viabilidade do projeto é contestada por especialistas. Wim Carton, professor de ciência da sustentabilidade na Universidade de Lund, associa a ideia a projetos antigos de geoengenharia e questiona a possibilidade de execução diante do conhecimento atual sobre as consequências de detonações nucleares.
Como o estudo permanece no campo teórico, persistem incertezas sobre a eficácia real da captura de CO2, a contenção de resíduos radioativos, os danos ambientais e a conformidade com tratados internacionais.