Ciência

Psicologia e biologia explicam a sensação de repulsa súbita por parceiros românticos

19 de Outubro de 2026 às 06:01 2 min de leitura

O fenômeno da repulsa súbita por parceiros, conhecido como ick, é explicado por teorias biológicas, mecanismos de defesa ligados ao apego evitativo e gatilhos sensoriais. Segundo a professora Rachael Leggett, a causa da aversão varia conforme as diferenças individuais

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Psicologia e biologia explicam a sensação de repulsa súbita por parceiros românticos
Prostock-studio/Shutterstock

A sensação de repulsa súbita por alguém que antes era atraente, fenômeno popularizado nas redes sociais como "eca" (ou ick), possui diversas explicações psicológicas e biológicas que tentam compreender por que o interesse romântico pode desaparecer instantaneamente diante de gatilhos específicos.

Teorias biológicas e evolutivas

Uma das hipóteses sugere que essa reação esteja vinculada ao nojo sexual. Sob essa ótica, a repulsa seria um mecanismo moldado pela evolução para garantir a seleção de parceiros que assegurem a sobrevivência da prole. No entanto, essa teoria apresenta limitações, pois não abrange a experiência de homens, de casais do mesmo sexo ou de pessoas que não buscam a reprodução em seus relacionamentos.

Mecanismos de defesa e apego

Outra linha de análise associa a repulsa à ansiedade no relacionamento, especialmente em indivíduos com estilos de apego evitativo. Para essas pessoas, a proximidade emocional pode gerar desconforto, fazendo com que o sentimento de "eca" funcione como um escudo psicológico. Esse mecanismo permitiria a criação de distância do outro para a preservação da independência e de um espaço seguro.

Condicionamento e gatilhos sensoriais

A psicologia também aponta a influência de experiências passadas e do ambiente no desenvolvimento dessa aversão:

  • Associações prévias: Maneirismos de um parceiro atual que remetam a relacionamentos anteriores podem disparar a sensação de repulsa.
  • Condicionamento clássico: A internalização de que certos hábitos são nojentos (como cutucar o nariz) faz com que a pessoa sinta aversão ao observar esse comportamento em terceiros.
  • Fobias específicas: Condições como a misofonia, caracterizada pela baixa tolerância a sons específicos, podem transformar ruídos como o de alguém mastigando em gatilhos de irritação e repulsa.

De acordo com Rachael Leggett, professora assistente de Psicologia da Universidade de Coventry, a causa desse fenômeno não é única. As diversas teorias possuem méritos e limitações, indicando que a resposta final reside nas diferenças individuais de cada pessoa.

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