Quantidade de insetos em placas de veículos caiu 60% em cinco anos no Reino Unido
O projeto Bugs Matter registrou a queda de 60% na quantidade de insetos em placas de veículos no Reino Unido entre 2021 e 2025. O declínio afeta especialmente abelhas, formigas e vespas, sendo impulsionado por poluição, pesticidas, destruição de habitats e aquecimento global
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A redução drástica de insetos voadores tornou-se evidente em um detalhe cotidiano: a diminuição de resíduos desses animais nos para-brisas e placas de veículos durante viagens. O projeto de ciência cidadã Bugs Matter transformou essa percepção em dados concretos ao solicitar que participantes limpassem as placas de seus carros, realizassem percursos e fotografassem os insetos acumulados após o trajeto.
Declínio populacional em números
O monitoramento, conduzido no Reino Unido entre 2021 e 2025, analisou mais de 25 mil viagens. Os resultados revelaram que a quantidade de insetos detectados nas placas caiu 60% em cinco anos, com uma redução média anual de 19% desde o início da iniciativa.
Esse cenário não é exclusivo do Reino Unido, sendo observado também em outras regiões da Europa, zonas agrícolas e áreas tropicais de alta biodiversidade. Uma revisão científica de 2019 já estimava que aproximadamente 40% das espécies de insetos estariam sob ameaça de extinção.
Espécies afetadas e biodiversidade
O declínio atinge especialmente a ordem dos Hymenópteros — que engloba abelhas, formigas e vespas —, além de mariposas, borboletas e alguns tipos de escarabajos. A magnitude da perda é alarmante quando comparada à escala global desses animais, que somam cerca de 10 trilhões de indivíduos, com mais de um milhão de espécies descritas e milhões de outras ainda desconhecidas.
Causas e impactos ecológicos
A perda de biodiversidade é impulsionada por um conjunto de fatores, incluindo:
- Destruição de habitats e poluição;
- Uso de pesticidas e produtos químicos agrícolas que atingem espécies não alvo;
- Propagação de doenças.
O aquecimento global atua como um agravante, pois a escassez de água, as secas, os incêndios e a alta das temperaturas alteram as fontes de alimento, os ciclos sazonais e os locais de sobrevivência dos insetos.
A relevância desses animais extrapola a observação visual nos veículos, pois eles são responsáveis pela polinização de plantas, reciclagem de matéria orgânica e controle de pragas, sustentando diversas cadeias ecológicas. De acordo com o naturalista E.O. Wilson, o desaparecimento dos insetos levaria o meio ambiente ao colapso.