Redução na ingestão de proteínas pode retardar o envelhecimento e ampliar a expectativa de vida
Revisão de mais de 350 estudos na revista Cell Press Blue indica que a redução de proteínas pode retardar o envelhecimento e ampliar a longevidade. A prática melhora a glicemia e reduz a gordura corporal, mas não é recomendada para gestantes, idosos e atletas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/W/A/jTFvsFT0iEPxzZadFnrg/pexels-karola-g-4378601.jpg)
A redução na ingestão de proteínas pode retardar o processo de envelhecimento e ampliar a expectativa de vida em determinados grupos populacionais. A conclusão surge de uma revisão de mais de 350 estudos científicos publicada na revista Cell Press Blue, que analisou como a restrição desse nutriente impacta a saúde celular e a longevidade.
O levantamento indica que a diminuição do consumo proteico promove a preservação do funcionamento das células, reduz danos celulares, altera a forma como as células respondem aos nutrientes e otimiza o metabolismo.
Impactos biológicos e longevidade
A pesquisa identificou que a restrição de proteínas pode aumentar a vida útil de organismos, como moscas e roedores, mesmo quando não há redução no consumo total de calorias. Em seres humanos, ensaios clínicos recentes demonstraram que a menor ingestão de proteínas resultou em melhora da glicemia em jejum e redução de gordura e peso corporal, independentemente do volume calórico ingerido.
Um dos mecanismos centrais para esses resultados é a elevação dos níveis do hormônio FGF21. Quando a ingestão de proteínas cai, a produção desse hormônio aumenta, o que pode:
- Reduzir a inflamação;
- Melhorar o controle da glicemia;
- Elevar o gasto energético.
Em testes com camundongos, animais com maior concentração de FGF21 apresentaram maior longevidade.
Além disso, o estudo alerta para o consumo excessivo de aminoácidos específicos, como metionina, isoleucina e valina. A ingestão elevada dessas substâncias pode estimular o crescimento celular, elevando a probabilidade de inflamações, obesidade e outras patologias ligadas ao envelhecimento.
Indicações e contraindicações
Apesar dos benefícios da restrição, a revisão ressalta que dietas pobres em proteínas não são recomendadas para todos. Dudley Lamming, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison e coautor do estudo, pontua que a proteína é essencial para a resposta ao exercício e o crescimento muscular em indivíduos ativos.
Existem grupos com necessidades proteicas elevadas, como:
- Gestantes;
- Idosos (para evitar a perda de massa muscular, especialmente se houver atividade física);
- Atletas.
Tais evidências levaram as autoridades de saúde dos Estados Unidos a atualizarem as recomendações alimentares este ano, elevando a quantidade diária sugerida de proteína. Lamming observa que a prática regular de exercícios físicos atua como um fator de proteção contra os possíveis efeitos negativos de dietas ricas em proteínas, motivo pelo qual atletas geralmente não desenvolvem doenças metabólicas mesmo com alto consumo.
Por outro lado, para a maioria dos adultos sedentários, o consumo de alimentos enriquecidos com proteína — como cafés, bebidas e barrinhas proteicas comuns em supermercados — pode não entregar os benefícios esperados.