Ciência

Registros de eclipse na China Antiga ajudam a refinar a compreensão sobre a rotação da Terra

26 de Outubro de 2026 às 18:00 3 min de leitura

Pesquisadores utilizaram registros de um eclipse solar de 709 a.C. na China para refinar a medição da rotação da Terra e analisar a atividade do Sol. O estudo, publicado no The Astrophysical Journal Letters, corrigiu a localização da cidade de Qufu para calcular o delta T e identificar a visualização da coroa solar

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Registros de eclipse na China Antiga ajudam a refinar a compreensão sobre a rotação da Terra
Vladimir Srajber/Pexels

Registros da China Antiga sobre um eclipse solar ocorrido em 17 de julho de 709 a.C. permitiram que pesquisadores internacionais aprimorassem a compreensão sobre a rotação da Terra e a atividade do Sol há mais de 2.700 anos. O estudo, publicado no The Astrophysical Journal Letters, integrou dados de astronomia, geografia histórica e arqueologia para reconstruir o evento.

Ajuste geográfico e a rotação terrestre

A investigação partiu de relatos dos Anais da Primavera e do Outono, crônica compilada séculos após o fenômeno, que descrevia a ocultação total do Sol observada por astrônomos do Estado de Lu. Inicialmente, cálculos astronômicos modernos indicavam que o eclipse não seria visível na cidade de Qufu, a capital de Lu. No entanto, a análise de evidências geográficas e relatórios de escavações revelou que as coordenadas da antiga cidade estavam deslocadas em cerca de oito quilômetros.

Essa correção foi fundamental para que a equipe, liderada pelo professor Hisashi Hayakawa, da Universidade de Nagoya, pudesse medir com precisão a rotação do planeta durante o evento, simular a coroa solar e calcular a orientação do eixo de rotação do Sol.

O achado reforça que a velocidade de rotação da Terra não é constante, tendo diminuído gradualmente ao longo de milênios devido ao atrito das marés oceânicas influenciadas pela Lua. Com a localização exata de Qufu, os cientistas refinaram as estimativas de rotação entre os séculos 8 e 6 a.C. Para o eclipse de 709 a.C., foi estabelecido um intervalo de 20.264 a 21.204 segundos para o delta T ($\Delta T$), medida que quantifica variações na rotação terrestre em relação a um tempo uniforme.

Indícios de atividade solar

Além dos dados terrestres, a pesquisa explorou a condição da estrela na época. O Hanshu (Livro de Han), escrito aproximadamente sete séculos após o eclipse, descreve o Sol como "completamente amarelo acima e abaixo". Esta observação sugere a visualização da coroa solar — a camada externa da atmosfera solar — tornando-se, possivelmente, um dos registros escritos mais antigos desse fenômeno.

A descrição coincide com a retomada da atividade magnética do Sol após o Grande Mínimo Neoassírio (ou Grande Mínimo de Homero), período de baixa atividade e poucas manchas solares ocorrido entre 808 e 717 a.C. O eclipse de 709 a.C. aconteceu logo após esse intervalo, e a aparência relatada da coroa solar é compatível com a fase de recuperação da estrela, possivelmente próxima ao pico de seu ciclo de 11 anos.

Embora a hipótese seja corroborada por estudos de carbono radioativo em anéis de árvores, os pesquisadores, incluindo Meng Jin, do Laboratório de Astrofísica e Física Solar da Lockheed Martin, ressaltam que o relato histórico, por ter sido escrito séculos depois, não constitui prova definitiva, mas demonstra a precisão dos observadores antigos quando aliada a métodos computacionais modernos.

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