Ciência

Reino Unido torna realidade a geração de eletricidade com cama de aves como combustível principal

22 de Março de 2026 às 04:55

A usina termoelétrica de Ballymena, na Irlanda do Norte, começou a operar em 2024 e é considerada a primeira no mundo a funcionar apenas com cama de aves sem mistura com outros combustíveis. A unidade processa cerca de 40 mil toneladas desses resíduos por ano e produz aproximadamente 3 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer cerca de 6 mil residências. O processo envolve a queima dos resíduos em altas temperaturas para gerar vapor e movimentar uma turbina ligada a um gerador elétrico

A transformação do esterco de aves em eletricidade é uma realidade no Reino Unido, onde usinas de biomassa têm sido operadas há mais de duas décadas. A iniciativa começou a ganhar escala na década de 1990, quando a Usina Termoelétrica de Eye foi inaugurada e se tornou referência global nessa área.

A unidade alcançou potência próxima de 17 MW e utilizava principalmente resíduos de aves como combustível. Com esse desempenho, passou a ser citada como uma das primeiras experiências de destaque no uso dessa biomassa para geração de eletricidade.

Outro projeto importante foi o desenvolvimento da usina em Thetford pela Fibrowatt, com cerca de 38,5 MW de capacidade instalada. Segundo documentação técnica reunida pelo Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia, a planta tinha potencial para abastecer dezenas de milhares de residências.

A etapa mais recente dessa trajetória ocorreu em 2024, com a entrada em operação da usina em Ballymena, na Irlanda do Norte. Essa unidade é descrita como a primeira do mundo a funcionar apenas com cama de aves sem mistura com outros combustíveis.

A instalação processa aproximadamente 40 mil toneladas de resíduos de aves por ano e produz cerca de 3 MW de eletricidade. Esse volume é suficiente para abastecer aproximadamente 6 mil residências, ampliando o uso energético do que antes era um passivo ambiental.

Além da geração elétrica, a usina em Ballymena também prevê a produção de biometano, com objetivo de substituir parte do gás importado e associar o aproveitamento do resíduo avícola à diversificação da matriz energética. A conversão dos resíduos em eletricidade mostra como um passivo ambiental pode ser incorporado à produção de energia.

O processo envolve a queima dos resíduos em altas temperaturas, o que gera vapor de alta pressão e movimenta uma turbina ligada a um gerador elétrico. A turbina transforma a energia do vapor em mecânica enquanto o gerador converte esse movimento em eletricidade.

O aproveitamento dos resíduos avícolas é classificado como biomassa renovável porque utiliza um subproduto agrícola que, de outra forma, geraria emissões e problemas de gestão. Em alguns casos as cinzas resultantes do processo são reutilizadas como fertilizante.

No entanto, a combustão da biomassa gera emissões de CO2 e partículas o que mantém aberto o debate científico sobre seu impacto climático líquido. A discussão compara esse tipo de geração com outras fontes renováveis, como a eólica e solar.

A continuidade dessa rota tecnológica baseada no aproveitamento da cama de aves é indicada pelos projetos mais recentes desenvolvidos na região, mostrando que o esterco de aves pode ser transformado em fonte energética.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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