Ciência

Reservas de água na Lua podem ser insuficientes para sustentar assentamentos humanos de grande porte

14 de Setembro de 2026 às 18:00 3 min de leitura

Estudo da revista Frontiers in Space Technologies indica que as reservas de água na Lua são insuficientes para sustentar megacidades. Um estoque de 1 bilhão de toneladas manteria um milhão de pessoas por pouco mais de um século, enquanto grupos de 1.000 indivíduos seriam viáveis por séculos com reciclagem

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Reservas de água na Lua podem ser insuficientes para sustentar assentamentos humanos de grande porte
Nasa

As reservas de água na Lua podem ser insuficientes para sustentar assentamentos humanos de grande porte, segundo um estudo publicado na revista Frontiers in Space Technologies. A análise indica que, mesmo em cenários otimistas, a quantidade de gelo disponível nas regiões polares não seria capaz de manter megacidades extraterrestres por longos períodos.

A limitação dos recursos hídricos

O estudo calculou a viabilidade de sobrevivência de populações lunares com base nas estimativas atuais de água. Em uma projeção favorável, considerando a existência de até 1 bilhão de toneladas de água, uma população de um milhão de pessoas consumiria todo o estoque em pouco mais de um século.

A situação torna-se mais crítica ao considerar estimativas recentes, que apontam para um volume de água cerca de 30 vezes menor do que o cenário máximo. Nesse contexto, a autossuficiência de cidades com milhares de habitantes ficaria comprometida, enquanto grupos menores, de aproximadamente 1.000 pessoas, conseguiriam ser mantidos por séculos, desde que utilizassem sistemas rigorosos de redução de consumo e reciclagem.

Armadilhas frias e a origem do gelo

A água lunar concentra-se em crateras nas regiões polares que, por não receberem luz solar direta há bilhões de anos, funcionam como armadilhas frias. Nessas áreas, as temperaturas podem cair abaixo de 110 kelvin (cerca de -163 °C), impedindo a sublimação do gelo. Acredita-se que esse recurso tenha sido transportado para a superfície lunar por asteroides e outros corpos celestes ao longo do tempo.

Desde 2013, missões espaciais mapeiam esses depósitos, mas a precisão sobre o volume total permanece incerta.

Energia e infraestrutura

Apesar da escassez hídrica, a produção de energia não é vista como o principal entrave. As bordas das crateras polares, que recebem luz solar por períodos prolongados, são locais estratégicos para a instalação de painéis fotovoltaicos. Estruturas com quilômetros de altura poderiam gerar cerca de 3 gigaWatts de eletricidade. Além disso, a fabricação de equipamentos poderia ser feita localmente, aproveitando o silício abundante no regolito lunar.

Estratégias para a sustentabilidade lunar

Para viabilizar a permanência humana, a eficiência na reutilização da água é fundamental. Atualmente, a Estação Espacial Internacional recicla aproximadamente 98% de sua água; aplicar esse índice na Lua prolongaria a sobrevivência da população, mas ainda não seria suficiente para cidades milionárias a longo prazo.

Para superar essas limitações, os pesquisadores apontam caminhos como:

  • Implementação de métodos agrícolas de baixo consumo, como o cultivo vertical;
  • Aumento da eficiência dos sistemas de reciclagem;
  • Transporte de água proveniente de asteroides acessíveis.

Outra alternativa reside na prospecção de novas reservas. Como as técnicas atuais investigam apenas alguns metros abaixo da superfície, a existência de depósitos de gelo em camadas mais profundas do regolito — com dezenas de metros de espessura — poderia ampliar significativamente a viabilidade de assentamentos lunares de grande porte.

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