Resfriamento anômalo no sudeste da Gronelândia indica instabilidade na circulação oceânica do Atlântico Norte
Uma região ao sudeste da Gronelândia registra resfriamento de até 1°C devido ao enfraquecimento da Circulação Meridional de Retorno do Atlântico. Estudo de Stefan Rahmstorf indica que a anomalia é de origem marinha e atinge profundidades de 1.000 metros. O fenômeno é causado pela redução da salinidade do oceano após o derretimento de glaciares árticos
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Uma região ao sudeste da Gronelândia apresenta um resfriamento anômalo de até 1°C, contrastando com a tendência de aquecimento global. O fenômeno, monitorado pela NASA e denominado "buraco de aquecimento" ou "mancha fria", indica uma instabilidade nos sistemas de regulação climática do planeta.
Um estudo conduzido pelo oceanógrafo Stefan Rahmstorf, do Instituto de Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático, utilizou reanálises de dados obtidos por navios, boias e satélites para determinar que a origem dessa anomalia é estritamente marinha. A análise revela que a perda de calor na superfície da região vem diminuindo desde 1955 e que o resfriamento atinge profundidades de até 1.000 metros.
Essa alteração térmica está ligada ao enfraquecimento da Circulação Meridional de Retorno do Atlântico (AMOC). O sistema opera como uma cinta transportadora que leva água quente e salgada do Golfo do México ao norte da Europa; ao atingir latitudes árticas, a água resfria, torna-se mais densa e afunda, retornando ao sul. Contudo, o derretimento de glaciares árticos injeta grandes volumes de água doce no oceano, reduzindo a salinidade e a densidade da camada superficial, o que prejudica o processo de afundamento e fragiliza a circulação global.
As conclusões de Rahmstorf refutam hipóteses meteorológicas anteriores. Em 2022, uma pesquisa de Chengfei He, da Universidade Northeastern de Boston, sugeria que o aquecimento do Ártico deslocava a corrente de jato, aumentando a evaporação e retirando calor do oceano. Outra teoria propunha que a formação de nuvens bloqueava a radiação solar. Para Rahmstorf, fatores atmosféricos, como ventos e nuvens, explicam apenas uma parcela reduzida do fenômeno.
A instabilidade no Atlântico Norte eleva o risco de colapso da AMOC e do giro subpolar, corrente essencial para levar a água salgada às zonas de afundamento do circuito termohalino. Modelos matemáticos indicam que a AMOC pode atingir um ponto de não retorno nas próximas décadas. Caso o sistema pare definitivamente, as temperaturas no Reino Unido e em países vizinhos podem cair abruptamente na década de 2040.
Além do impacto na Europa, um colapso climático desse porte desestabilizaria as chuvas monzônicas essenciais para a agricultura na África e na Ásia. A precisão das previsões ainda é limitada pela escassez de registros, com apenas 22 anos de observações diretas disponíveis.