Revista Science publica o primeiro mapa global detalhado das redes fúngicas subterrâneas
A revista Science publicou o primeiro mapa global de redes de fungos micorrízicos arbusculares, elaborado a partir de 16.669 amostras de solo. O estudo indica que essas estruturas absorvem anualmente 3.900 milhões de toneladas de dióxido de carbono e apresentam densidade 50% menor em solos agrícolas
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A revista Science publicou o primeiro mapa global detalhado das redes fúngicas subterrâneas, revelando a extensão de estruturas microscópicas que operam abaixo da superfície terrestre. O estudo foca nos fungos micorrízicos arbusculares, organismos que estabelecem simbioses com a maioria das plantas terrestres em florestas, campos, áreas úmidas e pradarias, funcionando como sistemas de troca de nutrientes.
Essas redes são compostas por filamentos que se conectam às raízes das plantas para fornecer nitrogênio e fósforo em troca de carbono vegetal. A magnitude desse sistema é tamanha que a soma de todos os filamentos totalizaria cerca de 110.000 bilhões de quilômetros, distância que representa aproximadamente 10% da largura da Via Láctea.
Para a elaboração do mapeamento, o biólogo evolutivo Justin Stewart, da Society for the Protection of Underground Networks, coordenou a análise de 16.669 amostras de solo originadas de 322 estudos prévios. A equipe aplicou inteligência artificial para calcular a densidade dessas redes na camada superficial do solo em escala mundial.
Os dados indicam que a densidade média é de 4,4 metros de filamentos por centímetro cúbico. As pradarias, sobretudo as situadas em regiões inundadas ou elevadas, destacam-se como os maiores reservatórios de biomassa fúngica do planeta. Stewart ressalta que esses ecossistemas estão sob rápida destruição, pois a remoção de gramíneas é processualmente mais simples do que o corte de árvores.
A interferência humana também é evidenciada no mapa. Em solos agrícolas, a densidade das redes fúngicas é 50% menor do que em terrenos naturais, redução atribuída ao emprego de fertilizantes à base de nitrogênio e fósforo, além do uso de fungicidas.
O impacto climático dessas estruturas é significativo. Estimativas citadas no trabalho apontam que esses fungos absorvem anualmente 3.900 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, volume equivalente a 11% das emissões globais de combustíveis fósseis registradas em 2021.
Apesar do avanço, a pesquisa identifica lacunas de dados em desertos e em certas florestas tropicais. O objetivo das próximas etapas da investigação é compreender os ciclos de crescimento e morte dessas redes e sua contribuição para a fixação de carbono estável no solo.