Ciência

Rio Finke na Austrália é apontado como o sistema de drenagem mais antigo do planeta

12 de Maio de 2026 às 06:22

O rio Finke, no centro da Austrália, é apontado como o sistema de drenagem mais antigo do planeta, com estrutura estimada entre 300 milhões e 400 milhões de anos. O curso d'água é classificado como antecedente por ter persistido em seu corredor regional desde o Paleozoico

Rio Finke na Austrália é apontado como o sistema de drenagem mais antigo do planeta
Descubra o rio mais antigo do mundo, o rio Finke, com uma história de 300 milhões a 400 milhões de anos.

O rio Finke, localizado no centro da Austrália e chamado de Larapinta pelos povos indígenas, é apontado como o sistema de drenagem mais antigo do planeta. Geólogos estimam que sua estrutura persista entre 300 milhões e 400 milhões de anos, tendo sobrevivido a rearranjos continentais desde a era da Pangeia, além de mudanças climáticas e a formação de montanhas.

A identificação de rios ancestrais é complexa, pois os cursos d'água são dinâmicos: eles escavam rochas, abandonam leitos e criam novos caminhos, muitas vezes destruindo as evidências de sua própria existência. Por isso, a investigação geológica não busca um canal imutável, mas sim corredores de drenagem persistentes que conseguiram conduzir água pela mesma paisagem, mesmo diante de profundas transformações ambientais e tectônicas.

No caso do Finke, o rio é classificado como antecedente. Isso significa que seu curso já existia antes do soerguimento das montanhas da região, e ele continuou aprofundando seu leito enquanto a paisagem ao redor se elevava. O rio nasce na cordilheira MacDonnell e segue para o sul, em direção à bacia do Lago Eyre, cortando cadeias montanhosas em vez de contorná-las.

A história do sistema está vinculada à Orogenia de Alice Springs, evento que deformou a Austrália central entre 450 milhões e 300 milhões de anos atrás. Embora as curvas atuais do rio não tenham essa idade, evidências de que um sistema de drenagem ocupa esse corredor regional desde o Paleozoico profundo são reforçadas por antigos cascalhos fluviais. Alguns desses depósitos foram endurecidos por sílica e ferro após contato com águas subterrâneas, tornando-se mais resistentes que o terreno circundante. Com a erosão da paisagem mais macia, esses depósitos ficaram elevados acima do leito moderno, fenômeno conhecido como topografia invertida, que preserva vestígios de canais abandonados.

Atualmente, o Finke apresenta um aspecto fragmentado durante a maior parte do ano, dividindo-se em trechos secos, áreas arenosas e poços d’água, recuperando o fluxo de águas barrentas apenas durante as chuvas.

Outros rios disputam a antiguidade global. Na Europa Ocidental, o Meuse corta as montanhas das Ardenas e teria existido desde o final do Paleozoico, embora existam dúvidas sobre sua continuidade devido a períodos em que o vale foi coberto por mares. O Reno, com idade estimada em 240 milhões de anos, possui um sistema moderno formado gradualmente com a incorporação de drenagens alpinas.

Nos Estados Unidos, o Rio Novo é citado com estimativas que variam entre 3 milhões e 320 milhões de anos. A hipótese mais antiga baseia-se no fato de ele cortar a cordilheira dos Apalaches, embora parte da comunidade geológica defenda que o desfiladeiro atual seja fruto de erosões mais recentes.

Sistemas ligados à fragmentação de Gondwana também são analisados. O rio Save, que percorre Zimbábue e Moçambique até o Oceano Índico, está associado a antigas zonas de rifteamento continental entre a África e a Antártica. Já o Narmada, na Índia, segue uma estrutura geológica anterior à colisão da Índia com a Ásia, que resultou na formação do Himalaia.

Diferente desses casos, o Nilo, frequentemente chamado de mais antigo por sua importância histórica, é geomorfologicamente recente. Embora parte de sua história remonte a 75 milhões de anos, a maior parte do sistema atual tem menos de 2 milhões de anos.

Para que um rio atinja idades extremas, ele deve evitar processos destrutivos como glaciações, inversões de curso, soterramentos e capturas fluviais — que ocorrem quando um rio intercepta o sistema de um vizinho e altera seu trajeto. Exemplos dessas mudanças incluem a reorganização da drenagem sul-americana antes da elevação dos Andes e a alteração do antigo rio Teays, na América do Norte, pelas geleiras do Pleistoceno.

Como não é possível datar a água em movimento, os geólogos utilizam a datação radiométrica de cristais de zircão em sedimentos, a luminescência opticamente estimulada para medir a exposição de grãos sedimentares à luz e a datação por isótopos cosmogênicos para calcular a erosão de desfiladeiros. Apesar das incertezas inerentes a essas técnicas, o rio Finke permanece como o principal candidato ao título de sistema fluvial mais persistente da Terra.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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