Rover Curiosity identifica cavidades com formas incomuns na superfície de Marte
O rover Curiosity detectou cavidades de formas incomuns e baixa profundidade no Vale Grande, em Marte. A NASA utiliza modelos tridimensionais para investigar a origem dessas estruturas localizadas na Montanha Sharp
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O rover Curiosity, da NASA, identificou a presença de pequenas cavidades na superfície de Marte que desafiam as explicações geológicas conhecidas. As estruturas foram localizadas no Vale Grande, situado na Cratera Gale, enquanto o veículo explorava as camadas de sulfatos da Montanha Sharp.
Diferente de outras depressões já registradas no planeta, esses buracos apresentam formas incomuns e profundidade reduzida. Um dos exemplares documentados possui cerca de um centímetro de diâmetro, caracterizando-se por ser largo e raso.
Análise geológica e anomalias
Em situações habituais, a formação de pequenos buracos no leito rochoso marciano ocorre quando pedras ou nódulos minerais, mais resistentes que a rocha circundante, são removidos pela erosão. No entanto, esse processo não se aplica ao achado atual, pois não há evidências de nódulos ou pedras próximas que justifiquem a criação de tais cavidades, além de as proporções divergirem de padrões observados anteriormente.
Para investigar a origem do fenômeno, a NASA mobilizou instrumentos específicos do rover:
- A câmera MAHLI realizou capturas de curto alcance para detalhar a superfície.
- A Mastcam registrou o ambiente sob diversas perspectivas.
A sobreposição dessas imagens permitiu a criação de modelos tridimensionais, possibilitando o cálculo preciso da geometria, dimensões e profundidade das estruturas para tentar determinar a causa de sua formação.
Contexto da exploração na Montanha Sharp
A descoberta aconteceu em um trecho recente da trajetória do Curiosity. No início deste ano, o veículo superou as formações de boxwork — redes de crestas mineralizadas ligadas à circulação de água subterrânea de milhões de anos atrás — e iniciou a subida por camadas sedimentares ricas em sulfatos. Essas camadas variam em composição química, textura e resistência à erosão conforme a altitude aumenta. No final de agosto de 2026, a missão atingiu a marca de 1.000 metros de ascensão.
Além dos buracos, a equipe analisa outras irregularidades, como a transição rápida entre camadas rochosas. Foram identificadas faixas cinzentas e rugosas que reagem à erosão de maneira distinta dos materiais adjacentes. O rover segue instruções para analisar a composição química dessas rochas enquanto avança pela Montanha Sharp.
Até o momento, as cavidades podem ser resultado de propriedades específicas da rocha, de um mecanismo ainda não identificado ou de um processo de erosão desconhecido.