Rover Curiosity identifica estruturas poligonais em escala inédita no Vale Grande de Marte
O rover Curiosity da NASA identificou estruturas poligonais inéditas no Vale Grande, em Marte, capturadas em junho de 2026. As imagens revelam fraturas de 4 a 8 centímetros ao redor da colina Miraflores. O JPL analisa se as formações resultam de ciclos de umidade e seca ou da compactação do solo
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O rover Curiosity da NASA identificou uma vasta extensão de estruturas poligonais no Vale Grande, em Marte, que se assemelham a colmeias gigantes. Embora formas geométricas semelhantes já tivessem sido detectadas em áreas menores anteriormente, a escala e a concentração desta nova descoberta são inéditas para a missão.
As imagens, capturadas entre 19 e 20 de junho de 2026, resultam da composição de 340 fotografias. O registro detalha uma rede de fraturas com larguras variando entre 4 e 8 centímetros, que se espalham pelo terreno e envolvem a colina Miraflores, uma elevação de aproximadamente 6 metros coberta por areia.
Hipóteses sobre a formação geológica
A equipe do Jet Propulsion Laboratory (JPL) trabalha com duas linhas principais para explicar a origem dessas formações. A primeira possibilidade é que as estruturas sejam rachaduras de argila, resultantes de ciclos repetidos de umidade e seca, similares ao que ocorre no fundo de lagos que evaporam sob a ação do sol.
A segunda hipótese sugere que os polígonos tenham surgido do enterramento e da compactação do solo. Nesse cenário, a pressão teria expelido a água de sedimentos antigos, fraturando a rocha. Ashwin Vasavada, cientista do projeto, indica que a aparência estruturada também pode ser provocada por mudanças de temperatura que removem a umidade das camadas de sedimento.
Histórico de observações e contexto
A descoberta no Vale Grande soma-se a outros achados recentes do rover. Em 1º de maio de 2025, foram registradas formas com crestas de um centímetro em uma área de 30 metros. Já em abril de 2026, próximo ao cráter Antofagasta, o veículo encontrou milhares de rochas com textura semelhante a escamas. Um detalhe relevante é que tais padrões não eram visíveis pelas imagens do Mars Reconnaissance Orbiter, sendo revelados apenas com a proximidade do rover.
Essas evidências geológicas inserem-se no estudo do Monte Sharp, montanha de aproximadamente 4,8 quilômetros de altura que o Curiosity explora desde 2014. A região, onde o rover pousou em agosto de 2012, já revelou a presença de moléculas orgânicas à base de carbono, componentes essenciais para a formação de RNA e DNA.
Implicações para a busca por água
A análise desses padrões poligonais é fundamental para reconstruir a história hídrica do planeta. Formações similares são comuns nas terras baixas do norte de Marte, onde surgem por fissuras térmicas em solos congelados, servindo como indicadores de gelo subterrâneo.
Dessa forma, as estruturas encontradas no Vale Grande podem funcionar como um mapa, sinalizando onde a água esteve presente na superfície marciana e reforçando a tese de que o planeta possuía, no passado, as condições químicas necessárias para a vida.