Ciência

Rover Perseverance revela que a Cratera Jezero teve múltiplos episódios de atividade aquosa em Marte

28 de Setembro de 2026 às 09:10 3 min de leitura

Análises do rover Perseverance na Cratera Jezero, em Marte, identificaram que rochas de origem ígnea foram moldadas por três fases de atividade aquosa: águas subterrâneas, interação com o lago e eventos hidrotermais. O estudo, publicado na Communications Earth & Environment, utilizou o instrumento SuperCam para mapear a composição química de 185 amostras

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Rover Perseverance revela que a Cratera Jezero teve múltiplos episódios de atividade aquosa em Marte
Planetary Science Institute/Smithsonian Institution

Análises realizadas pelo rover Perseverance na Cratera Jezero, em Marte, revelaram que a história da água na região é mais complexa do que as previsões iniciais. O estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment, indica que as rochas da chamada Unidade Marginal foram moldadas por múltiplos episódios de atividade aquosa, ocorridos em momentos e por vias distintas, o que altera a percepção de que a área estaria ligada apenas ao antigo lago da cratera.

Composição geológica e a surpresa do magma

A investigação teve início em setembro de 2023, quando o rover alcançou a borda interna de Jezero. Embora observações orbitais sugerissem a presença de rochas sedimentares compostas por areia e argila devido à abundância de minerais carbonatados, a análise local identificou uma formação de origem ígnea. Esse material, resultante de processos vulcânicos ou do resfriamento lento de magma no subsolo, foi fundamental para a descoberta, pois seus cristais preservaram os registros químicos de alterações posteriores.

O mineral olivino, rico em ferro e magnésio, é o elemento central desse registro. A equipe observou que, em altitudes elevadas, os cristais de olivino permanecem praticamente intactos. No entanto, nas áreas situadas abaixo do nível do antigo leito do lago, os grãos aparecem fraturados e acompanhados por carbonatos e sílica.

Sequência de transformações aquosas

A distribuição desses minerais permitiu a reconstrução de três fases distintas de interação com a água:

  • Águas subterrâneas: A primeira transformação ocorreu quando fluidos ricos em dióxido de carbono circularam pelas fraturas do olivino. Essa reação química criou veios e relevos de carbonato que resistiram à erosão dos materiais circundantes.
  • Interação com o lago: Uma segunda fase está ligada ao lago de Jezero. Rochas abaixo da margem antiga apresentam maior concentração de sílica, subproduto da conversão de olivino em carbonato, evidenciando a influência do nível da água superficial.
  • Atividade hidrotermal: Na parte oriental da Unidade Marginal, foram detectados veios de fluorita e sulfato de cálcio com cerca de 25 cm de espessura. Esses minerais indicam a circulação de água quente através de rochas vulcânicas, caracterizando um evento hidrotermal posterior.

Metodologia de análise e implicações

Para mapear essa cronologia, o instrumento SuperCam do Perseverance analisou mais de 185 amostras rochosas. O dispositivo utiliza um laser para vaporizar pequenas quantidades de material a até 6,5 metros de distância, permitindo a análise do espectro do plasma para determinar a composição química. O rover percorreu 265 metros de altitude na formação, o que foi decisivo para diferenciar as rochas inalteradas daquelas submetidas a processos aquosos.

Embora a data exata de cada evento ainda não tenha sido determinada, a descoberta posiciona a Unidade Marginal como um ponto de convergência de diferentes sistemas hídricos. Como a Cratera Jezero possui uma das maiores concentrações de carbonato de Marte, os dados obtidos são essenciais para a NASA compreender a evolução do clima e a habitabilidade do planeta ao longo do tempo.

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