Ciência

Santuário de 6.500 anos na República Tcheca revela conhecimentos astronômicos de comunidades agrícolas pré-históricas

04 de Setembro de 2026 às 06:17 2 min de leitura

Arqueólogos da Universidade da Boêmia Ocidental identificaram na República Tcheca uma estrutura circular de 6.500 anos usada para observação astronômica. O monumento de 230 metros de diâmetro possui 12 acessos alinhados a ciclos da Lua e solstícios. O local, que apresenta vestígios de culto ao touro, foi posteriormente utilizado para enterros e assentamentos

-0:00
Santuário de 6.500 anos na República Tcheca revela conhecimentos astronômicos de comunidades agrícolas pré-históricas
University of West Bohemia

Uma estrutura circular de aproximadamente 6.500 anos, localizada nas proximidades de Chleby, na República Tcheca, indica que as primeiras comunidades agrícolas da Europa Central possuíam um nível de complexidade social e técnica superior ao que se imaginava. O sítio, estudado pela Universidade da Boêmia Ocidental, funcionou como um santuário dedicado à observação astronômica, tendo sido erguido mais de um milênio antes de Stonehenge.

O monumento possui 230 metros de diâmetro e era cercado por um fosso com profundidade superior a 2,5 metros. O diferencial da estrutura reside em seus 12 acessos irregulares que, embora pareçam dispostos ao acaso, seguem uma geometria rigorosa vinculada a eventos do céu.

Alinhamentos astronômicos e rituais

A análise dos acessos revelou dois eixos principais de observação. O primeiro está conectado ao ciclo de aproximadamente 18 anos da Lua em suas posições extremas no horizonte. O segundo eixo vincula o nascer do sol no solstício de verão ao pôr do sol no solstício de inverno, simbolizando, respectivamente, o início e o fim para as populações agrícolas da época.

Essa configuração arquitetônica é análoga à encontrada em Stonehenge, porém a datação de materiais orgânicos confirma que o complexo de Chleby é consideravelmente mais antigo. Para Petr Krištuf, arqueólogo da Universidade da Boêmia Ocidental, a existência de recintos circulares nesse período e região é um fato inédito, o que torna a descoberta excepcional.

Simbolismo e evolução do sítio

Evidências encontradas nas escavações sugerem a natureza das cerimônias realizadas no local. A presença de chifres e crânios de touros próximos a algumas entradas indica a existência de portais monumentais. Segundo Jan Turek, da Universidade Carolina, o culto ao touro era um símbolo religioso central para as primeiras comunidades agrícolas em diversas regiões da Europa pré-histórica.

O uso do espaço evoluiu ao longo dos séculos:

  • Idade do Bronze: O fosso passou a receber restos humanos, incluindo um enterro da cultura Únětice com cerca de 18 indivíduos.
  • Idade do Ferro: O caráter ritual do local foi encerrado. O fosso foi preenchido para dar lugar a um assentamento convencional.

A próxima etapa da pesquisa focará na análise de marcas químicas no solo para detalhar a utilização desse espaço ao longo do tempo.

Notícias Relacionadas