Ciência

Sargassum cresce 50% em quatro décadas no Oceano Atlântico

03 de Março de 2026 às 12:11

Um levantamento utilizando imagens de satélite revelou a expansão significativa do Grande Cinturão de Sargassum no Oceano Atlântico, com uma biomassa aumentada mais de 50% entre 1980 e 2020. A proliferação desse algama é atribuída em parte aos aportes de nutrientes provenientes da terra firme, como escoamento agrícola e águas residuais. Os especialistas alertam sobre as consequências negativas para comunidades costeiras

Sargassum cresce 50% em quatro décadas no Oceano Atlântico
YouTube/NASA/FAU Research

O Grande Cinturão do Sargassum: Um Fenômeno Oceânico em Ascensão

Um levantamento recente utilizando imagens de satélite revelou a expansão significativa da faixa marrom conhecida como o Grande Cinturão de Sargassum, que se estende por mais de 37 milhões de toneladas ao longo do Oceano Atlântico. A estrutura é composta por algas flutuantes que conectam a costa da África Ocidental com o Golfo do México.

Os pesquisadores da Universidade da Flórida, liderados pelo Dr. Brian Lapointe, realizaram uma análise de quatro décadas de dados oceanográficos e satélite para entender melhor essa mudança profunda na distribuição e produtividade do sargassum em escala oceânica.

De acordo com os resultados, a biomassa do Grande Cinturão aumentou mais de 50% entre 1980 e 2020, enquanto a proporção nitrogênio-fósforo também sofreu um aumento significativo. Esses dados sugerem que o crescimento não está apenas relacionado aos processos naturais como o afloramento marinho.

Os especialistas apontam para os aportes de nutrientes provenientes da terra firme, como escoamento agrícola e despejo de águas residuais, como fatores que contribuem para essa expansão. O rio Amazonas e os sistemas fluviais do Golfo do México são considerados fundamentais nesse transporte.

A equipe científica alerta sobre as consequências negativas da proliferação maciça desse algama nas comunidades costeiras, como a destruição das praias, impacto na pesca e no turismo, além dos riscos à saúde decorrentes do aumento nos níveis de gases nocivos. A decomposição dessas algas pode liberar sulfeto de hidrogênio e gases de efeito estufa.

Essa descoberta reforça a necessidade de uma análise mais profunda sobre os impactos ambientais da expansão desse fenômeno, além do entendimento das causas subjacentes para que possamos encontrar soluções eficazes.

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