Satélite da NASA detecta marcas escuras na neve do vulcão Shivelyuch na Rússia
Imagens do satélite Landsat 9 registraram marcas escuras na neve do vulcão Shivelyuch, na Rússia, causadas por depósitos vulcânicos que retêm calor. O monitoramento da NASA indica a formação de canais de rochas e cinzas devido a anomalias térmicas na região
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Imagens capturadas pelo satélite Landsat 9 em 23 de abril de 2026 revelaram a presença de marcas escuras na neve do vulcão Shivelyuch, localizado na península de Kamchatka, na Rússia. O monitoramento realizado pelo Observatório da Terra da NASA indica que o calor proveniente do interior do vulcão está alterando a paisagem congelada, formando canais compostos por rochas, cinzas e depósitos vulcânicos.
Considerado um dos vulcões mais ativos do mundo, o Shivelyuch apresenta anomalias térmicas, fluxos de detritos, deslizamentos de neve e novas camadas de cinzas quase diariamente. A atividade concentra-se em uma cratera em formato de ferradura, onde se desenvolve uma estrutura de lava. Esse processo ocorre devido ao avanço lento de lava viscosa, que se acumula em lóbulos, agulhas ou encostas.
Relatórios do Kamchatka Volcanic Eruption Response Team apontam que a erupção, de caráter explosivo-extrusivo, mantém emissões intensas de vapor e gás. O colapso de partes dessa estrutura vulcânica pode gerar fluxos rápidos de rocha, gás e cinzas.
As manchas escuras na neve resultam de depósitos vulcânicos que retêm calor por períodos prolongados, podendo levar meses ou anos para resfriar, o que provoca o derretimento da cobertura branca de baixo para cima. Parte desse cenário está ligada à erupção de abril de 2023, evento que causou o colapso parcial da estrutura e lançou fluxos piroclásticos por dezenas de quilômetros, destruindo áreas florestais.
A vulcanóloga Janine Krippner observou, em trabalhos de campo realizados em 2015, que materiais depositados cinco anos antes ainda emanavam calor. A especialista descreve o Shivelyuch como um sistema que passa por ciclos constantes de desmoronamentos de encostas e colapsos estruturais, reconstruindo-se sucessivamente por meio de sua atividade vulcânica persistente.