Satélite da NASA registra a degradação avançada do iceberg A-23A no Atlântico Sul
Imagens do satélite Terra, da NASA, mostram a degradação do iceberg A-23A no Atlântico Sul. A massa, que tinha 4.000 quilômetros quadrados em 1986, reduziu sua área para cerca de 1.182 quilômetros quadrados no início de 2025. O desgaste é evidenciado por áreas de água derretida e fissuras estruturais
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Imagens capturadas pelo satélite Terra, da NASA, revelaram a degradação avançada do iceberg A-23A, um dos maiores blocos de gelo da Antártida. O registro, feito enquanto a massa avançava pelo Atlântico Sul, destacou a presença de extensas áreas azuis em sua superfície, evidenciando o desgaste sofrido por esse bloco após quase 40 anos de sua separação da plataforma de gelo Filchner.
Histórico e trajetória de fragmentação
O A-23A desprendeu-se da Antártida em 1986, possuindo originalmente uma área de aproximadamente 4.000 quilômetros quadrados. Durante mais de três décadas, a massa permaneceu imobilizada nas águas rasas do Mar de Weddell, recuperando a mobilidade apenas em 2020. A partir desse momento, o iceberg iniciou um deslocamento em direção a regiões oceânicas com temperaturas mais elevadas.
A trajetória foi marcada por movimentos complexos, incluindo meses de rotação dentro de um vórtice oceânico denominado Coluna de Taylor. Após se aproximar da Ilha da Geórgia do Sul e enfrentar um novo período de imobilidade em águas rasas, o bloco finalmente alcançou o mar aberto, onde a exposição a correntes quentes acelerou sua fragmentação.
Evidências de derretimento e colapso estrutural
Em 26 de dezembro de 2025, o instrumento MODIS registrou grandes acúmulos de água derretida sobre o iceberg. No dia seguinte, fotografias tiradas por um astronauta da Estação Espacial Internacional confirmaram a expansão dessas áreas líquidas. De acordo com Ted Scambos, da Universidade de Colorado Boulder, o peso da água acumulada nas rachaduras do gelo exerce pressão, forçando a abertura de fissuras e comprometendo a estabilidade da estrutura.
Um fenômeno específico, identificado como blowout, também foi observado. Chris Shuman, da Universidade de Maryland Baltimore County, aponta que a pressão da água na parte superior pode ter rompido o gelo próximo às bordas, fazendo com que a água doce caísse por dezenas de metros até o oceano, criando colunas de água misturadas a fragmentos de gelo.
Marcas geológicas e redução de área
As faixas azuis e brancas visíveis no A-23A não são apenas fruto do derretimento recente. Walt Meier, do National Snow & Ice Data Center, explica que essas marcas foram formadas há centenas de anos, quando o gelo ainda integrava um glaciar que se movia sobre o leito rochoso antártico. Essas depressões e cristas ancestrais agora servem como canais que direcionam o fluxo da água na superfície do iceberg.
A redução dimensional do bloco tornou-se crítica em 2025. Entre julho e setembro, o A-23A perdeu diversos fragmentos de grande porte. Dados do Centro Nacional de Gelo dos EUA indicam que a área do iceberg, que era de 4.000 quilômetros quadrados na origem, caiu para cerca de 1.182 quilômetros quadrados no início de 2025. Apesar da perda massiva, a estrutura ainda figura entre os maiores icebergs do oceano, embora as bolsas de água e as fugas estruturais indiquem que a massa atingiu uma fase crítica de desintegração.