Satélite da Nasa registra anel luminoso causado por micro-organismos próximo às Ilhas Chatham
Um satélite da Nasa registrou um anel luminoso causado por fitoplâncton próximo às Ilhas Chatham, na Nova Zelândia. A região é um hotspot de biodiversidade, mas apresenta altos índices de encalhes de baleias-piloto. Estudos indicam que fatores comportamentais, ambientais e climáticos influenciam esses eventos
Um satélite da Nasa registrou a formação de um anel luminoso nas águas próximas às Ilhas Chatham, situadas a 840 quilômetros da costa da Nova Zelândia. O fenômeno visual é causado pela proliferação de cocolitoforídeos, micro-organismos fotossintetizantes que compõem o fitoplâncton. Essa atividade biológica ocorre devido ao Chatham Rise, uma estrutura submarina que atua como rampa, impulsionando águas profundas, frias e ricas em minerais para a superfície, criando condições ideais para o florescimento desses organismos.
A densidade de fitoplâncton estabelece a base de uma complexa cadeia alimentar, sustentando o zooplâncton e, consequentemente, peixes, lulas e crustáceos. Essa abundância atrai diversas espécies, como focas, albatrozes, pinguins e ao menos 25 tipos de cetáceos, incluindo cachalotes e orcas. Devido a essa alta produtividade oceânica, a região é classificada como um hotspot de biodiversidade, funcionando como um laboratório natural para o estudo de migrações, equilíbrio ecológico e interações alimentares.
Contudo, a mesma região que sustenta a vida marinha é um dos principais pontos de encalhe de baleias-piloto no mundo. Desde 1901, mais de 4.000 animais morreram nessas águas, com destaque para um episódio em 1918, que vitimou mais de mil baleias, e outro em outubro de 2022, com quase 500 mortes em dois eventos sucessivos.
A vulnerabilidade das baleias-piloto, especialmente a espécie *Globicephala melas*, está ligada ao forte vínculo social de seus grupos familiares. A tendência de seguir indivíduos que se aproximam demais da costa pode transformar um erro isolado em um encalhe em massa. Esse comportamento é agravado pela geografia local, onde praias de declive suave e águas profundas próximas ao litoral facilitam a perda de referência dos animais durante a maré baixa.
Um estudo publicado no *New Zealand Veterinary Journal* indica que esses eventos resultam de uma combinação de fatores comportamentais e ambientais, o que dificulta a prevenção. Além disso, as mortes de cetáceos servem como indicadores da saúde dos oceanos, sinalizando possíveis alterações em correntes, poluição sonora ou escassez de alimento.
A complexidade do cenário nas Ilhas Chatham se estende aos esforços de resgate. A presença de tubarões em águas rasas muitas vezes inviabiliza a recolocação dos animais no mar, levando as equipes de conservação da Nova Zelândia a aplicar a eutanásia para evitar o sofrimento prolongado.
Paralelamente, pesquisas da Universidade de Glasgow, publicadas no periódico *PLOS One* após um encalhe na Escócia em 2023, analisaram os padrões alimentares dos animais antes do evento. Os dados sugerem que mudanças nas áreas de alimentação podem deslocar populações para zonas costeiras perigosas, reforçando a hipótese de que as alterações climáticas nos oceanos influenciam a frequência de encalhes em massa.