Ciência

Satélite da NASA registra nuvem de poeira do Saara que avançou para o Oceano Atlântico

11 de Setembro de 2026 às 06:08 2 min de leitura

O satélite Terra da NASA registrou, em 5 de setembro de 2026, uma nuvem de poeira do Saara e do Sahel sobre o Mali e países vizinhos. O fenômeno, classificado como haboob, deslocou-se posteriormente para o Oceano Atlântico

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Satélite da NASA registra nuvem de poeira do Saara que avançou para o Oceano Atlântico
Observatorio de la Tierrra de la NASA

O instrumento MODIS, a bordo do satélite Terra da NASA, registrou em 5 de setembro de 2026 a formação de uma densa nuvem de poeira sobre o Mali e países vizinhos. A massa de sedimentos, originária do Saara e do Sahel, cobriu extensas áreas da região no período em que o verão africano entrava em sua fase final, momento em que a atividade de poeira costuma declinar.

Dinâmica do deslocamento atmosférico

A observação via satélite permitiu acompanhar a evolução da massa de aerossóis, que não permaneceu confinada ao continente. Nos dias seguintes ao registro inicial, a nuvem avançou para o oeste, atingindo o Oceano Atlântico.

Apesar do deslocamento para as águas oceânicas, a NASA avalia que esta nuvem específica dificilmente completaria a travessia transatlântica. Esse tipo de percurso longo é mais frequente durante o verão e o final da primavera, quando as condições atmosféricas são mais favoráveis ao transporte de partículas por milhares de quilômetros através da chamada camada de ar sahariano — uma massa de ar seca e rica em partículas situada em altas altitudes.

Origem e causas do fenômeno

O evento é classificado por Tianle Yuan, cientista atmosférico do Centro Espacial de Goddard da NASA, como um haboob. Essas tempestades de poeira intensas são desencadeadas por ventos fortes e processos convectivos, que levantam grandes volumes de material seco da superfície e os espalham por vastas regiões. Foi a interação entre a disponibilidade de poeira, a força dos ventos e a atividade convectiva que permitiu que a massa formada em terra firme alcançasse o Atlântico.

Impacto do El Niño

A comunidade científica monitora agora como o desenvolvimento do El Niño poderá alterar esses padrões nos próximos meses, especialmente no Sahel e no Mali. O fenômeno climático pode influenciar a formação de nuvens de poeira de duas formas distintas:

  • Disponibilidade de material: Condições mais secas podem aumentar a quantidade de sedimentos prontos para serem transportados.
  • Mecanismo de transporte: A mesma seca pode reduzir a atividade convectiva essencial para a criação de haboobs intensos.

Além disso, o El Niño pode provocar mudanças na convecção e no deslocamento da zona de convergência intertropical. Para Tianle Yuan, embora a conexão entre o fenômeno climático e esses episódios atmosféricos seja real, é complexo determinar essa influência em casos isolados, já que o comportamento das tempestades depende de variáveis simultâneas, como a circulação do ar e o estado da superfície terrestre.

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