Satélite militar russo realiza manobra de aproximação deliberada contra satélite comercial que apoia a Ucrânia
O satélite militar russo Kosmos 2612 realizou uma manobra de aproximação deliberada contra o satélite comercial ICEYE-X36, que fornece inteligência à Ucrânia. A operação ocorreu entre 30 de setembro e 18 de outubro, atingindo uma distância inferior a 500 metros a 550 quilômetros de altitude
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Um satélite militar russo, identificado como Kosmos 2612, realizou uma operação de monitoramento e aproximação deliberada contra o ICEYE-X36, um satélite comercial de radar utilizado para fornecer inteligência estratégica à Ucrânia. A manobra, que ocorreu em órbita baixa, culminou na madrugada de domingo, 18 de outubro, quando o aparelho russo atingiu uma distância de apenas algumas centenas de metros do alvo, a aproximadamente 550 quilômetros de altitude.
O ICEYE-X36, de propriedade de uma empresa finlandesa com filial nos Estados Unidos, utiliza a tecnologia de radar de abertura sintética para mapear infraestruturas e atividades militares através de nuvens, operando tanto durante o dia quanto à noite. O serviço é utilizado pelo exército ucraniano para direcionar ataques contra alvos russos.
Cronologia da aproximação
A perseguição teve início em 30 de setembro. Durante quase duas semanas, o Kosmos 2612 manteve-se cerca de 46 quilômetros acima do alvo, aguardando a coincidência de suas trajetórias orbitais. No dia 12 de outubro, o satélite russo reduziu a distância para 475 quilômetros, iniciando uma aproximação gradual que consumiu combustível significativo para ajustes de velocidade.
Entre os dias 15 e 16 de outubro, novas manobras reduziram a distância para cerca de 210 quilômetros e, posteriormente, para apenas dois ou três quilômetros. Entre 17 e 18 de outubro, o aparelho russo circulou o ICEYE-X36, posicionando-se ora à frente, ora atrás, chegando a manter-se a menos de 500 metros do satélite comercial.
Capacidades técnicas e riscos
O Kosmos 2612, lançado em 16 de abril por um foguete Soyuz-2.1b, é classificado por analistas como um satélite de vigilância capaz de examinar outros objetos espaciais. A precisão da manobra, que envolveu navegação fina e controle de trajetória, sugere a presença de sensores avançados a bordo.
Embora a lentidão da aproximação descarte a hipótese de um ataque cinético imediato, a operação demonstra a capacidade russa de:
- Espionar e inspecionar satélites estrangeiros;
- Interferir em comunicações ou sistemas;
- Coagir operadores de infraestruturas espaciais.
A dependência crescente dos exércitos ocidentais de satélites comerciais amplia a vulnerabilidade do setor. Existe a preocupação de que manobras semelhantes possam ser aplicadas a megaconstelações, como a Starlink, forçando desvios que consumam combustível e reduzam a vida útil dos aparelhos.
Implicações legais e geopolíticas
A operação ocorre em um vácuo normativo. O Tratado do Espaço Exterior de 1967 não estabelece distâncias mínimas entre satélites, embora a prática comum seja a manutenção de um intervalo de dez quilômetros para evitar colisões. A ausência de regras claras torna difícil a atribuição de responsabilidades caso um satélite pare de funcionar subitamente.
A Rússia já havia sinalizado, em 2022, que satélites comerciais que apoiam forças ocidentais poderiam ser considerados alvos legítimos. O histórico militar russo inclui testes de armas antisatélites em 2020, com os satélites Kosmos 2542 e 2543.
Status atual e monitoramento
Atualmente, o Kosmos 2612 está em processo de afastamento, situando-se a cerca de 430 quilômetros do alvo. No entanto, a fase de proximidade é vista como parte de uma estratégia de "zona cinzenta", onde ações agressivas são realizadas sem chegar a um conflito aberto.
A vigilância continua, pois os satélites russos Kosmos 2611 e Kosmos 2613 apresentam trajetórias que convergem com o ICEYE-X37, outro aparelho da mesma empresa, com cruzamentos previstos para os dias 6 e 15 de novembro.