Ciência

Satélite revela área no Alasca que serviu como campo de treinamento para astronautas da Apollo

29 de Junho de 2026 às 12:26

Imagens do satélite Landsat 9 registraram a área escura do Vale das Dez Mil Fumarolas, no Alasca, formada pela erupção do vulcão Novarupta em 1912. O local, com camadas de cinzas de até 200 metros, serviu de treinamento para astronautas do programa Apollo e é utilizado pela NASA para estudos comparativos com Marte e a Lua

Satélite revela área no Alasca que serviu como campo de treinamento para astronautas da Apollo
NASA

Imagens do satélite Landsat 9 revelaram a extensão de uma vasta área escura em uma região remota do Alasca, evidenciando os impactos de um dos eventos vulcânicos mais intensos do século XX. Trata-se do Vale das Dez Mil Fumarolas, onde a superfície árida e escura contrasta com os vales verdes e cumes nevados do entorno. Essa marca geográfica é composta por materiais expelidos durante a erupção do vulcão Novarupta em 1912, a maior registrada no planeta ao longo do século passado.

O acúmulo de cinzas e fluxos vulcânicos na região atingiu temperaturas próximas a 750 °C, resultando em camadas que chegam a 200 metros de espessura. A paisagem resultante, caracterizada por ravinas e a emissão prolongada de gases subterrâneos, adquiriu um aspecto desolado que remete a cenários lunares.

Devido a essas características, o vale serviu como campo de treinamento para astronautas do programa Apollo nos verões de 1965 e 1966. Durante as missões de preparação, os tripulantes realizaram exercícios de geologia de campo, coleta de amostras e comunicação técnica. Entre as atividades estava a simulação denominada "jogo da Lua", na qual as equipes praticavam a descrição de materiais e o reconhecimento de formações vulcânicas em terrenos desconhecidos, utilizando a área como um análogo para a superfície lunar.

A relevância científica do local persiste além do programa Apollo. Os depósitos de rocha, gelo e cinza do vale permitem a interpretação de paisagens em Marte e na Lua. Em 2024, o Instituto de Instrumentos Goddard da NASA analisou esse ambiente para compará-lo a regiões marcianas, onde camadas de gelo e geleiras se misturam a poeira e cinzas.

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