Semaglutida retarda envelhecimento e aumenta expectativa de vida de camundongas em estudo científico
Estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley indica que a semaglutida aumentou em 12% a longevidade de camundongas idosas. A substância reduziu a inflamação e danos ao DNA, além de melhorar a memória e a coordenação motora dos animais
A substância semaglutida, amplamente utilizada no combate à obesidade e ao diabetes, demonstrou a capacidade de retardar o envelhecimento em modelos animais. Um estudo publicado na revista Nature revelou que o medicamento promoveu um aumento na expectativa de vida de camundongas idosas, além de mitigar a deterioração biológica típica da idade.
Impacto na longevidade e saúde celular
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, utilizou camundongas fêmeas de 20 meses. O grupo que recebeu doses diárias do fármaco apresentou uma sobrevida mediana de 834 dias, enquanto o grupo de controle, que não recebeu a substância, viveu em média 742 dias. Esse resultado representa um aumento de 12% na longevidade dos animais tratados.
A análise detalhada do organismo revelou melhorias em múltiplos marcadores biológicos. Os animais expostos à semaglutida exibiram:
- Redução de células senescentes (células que não se dividem e prejudicam tecidos adjacentes);
- Menor nível de inflamação nos tecidos;
- Diminuição de danos ao DNA;
- Otimização do funcionamento das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia celular.
Benefícios cognitivos e motores
Além da extensão da vida, o tratamento impactou a qualidade funcional dos animais. Foram observados ganhos em testes de coordenação motora, força e memória. No cérebro, especificamente no hipocampo — região ligada à memória —, houve um aumento na formação de novos neurônios.
No campo genético, a substância promoveu alterações em genes relacionados à longevidade, com destaque para o aumento de sirtuínas, moléculas conhecidas por regular o processo de envelhecimento em diversos organismos.
Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores ressaltam que os dados são iniciais e limitados. A confirmação de que esses efeitos podem ser replicados em seres humanos depende da realização de futuras pesquisas clínicas.