Ciência

Simulações desafiam teoria tradicional sobre rotação de estrelas semelhantes ao Sol, alterando entendimento científico

08 de Março de 2026 às 11:41

Pesquisadores japoneses realizaram um estudo que desafia uma teoria sobre a rotação de estrelas semelhantes ao sol. As simulações indicam que o equador continua a girar mais rápido do que os polos, mesmo quando a estrela envelhece e diminui sua velocidade de giro. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy após ser realizado no supercomputador Fugaku

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Nagoya, no Japão, realizou um estudo que desafia uma teoria aceita há quase meio século sobre a rotação das estrelas semelhantes ao sol. Segundo essa hipótese tradicional, as estrelas inverteriam seu padrão de rotação à medida que envelhecem e diminuem sua velocidade de giro.

As novas simulações conduzidas pelos cientistas indicam que esse cenário pode não ocorrer. Em vez disso, o equador continua a girar mais rápido do que os polos, mesmo quando a estrela se torna muito mais lenta. Os resultados reproduzem com grande fidelidade o padrão de rotação observado no sol e coincidem com as observações astronômicas já registradas.

A equipe utilizou simulações magnetohidrodinâmicas, capazes de calcular simultaneamente o movimento do plasma quente e o comportamento dos campos magnéticos. Essas simulações analisam a interação entre turbulência, fluxo de gás e magnetismo no interior das estrelas.

Os cálculos foram realizados no supercomputador Fugaku, considerado um dos mais poderosos do mundo. Cada estrela simulada foi dividida em aproximadamente 5,4 bilhões de pontos de grade, permitindo acompanhar movimentos turbulentos minúsculos e estruturas magnéticas complexas dentro das estrelas.

Os pesquisadores encontraram que dois processos principais mantêm o padrão observado: a turbulência do gás e os campos magnéticos atuam juntos para sustentar o equador girando mais rápido do que os polos. Esses mecanismos permanecem ativos durante toda a vida da estrela, mesmo quando sua rotação diminui ao longo de bilhões de anos.

Além disso, as simulações indicaram que o campo magnético das estrelas enfraquece gradualmente à medida que elas envelhecem. Teorias anteriores sugeriam que esse campo poderia voltar a se fortalecer se a rotação se tornasse antissolar, mas os novos resultados não mostram qualquer evidência desse ressurgimento.

Se confirmadas por observações futuras, as conclusões do estudo podem alterar significativamente como os cientistas entendem a evolução das estrelas. A rotação estelar influencia diversos processos físicos importantes, incluindo atividade magnética e emissão de partículas energéticas no espaço.

Compreender melhor esses mecanismos pode ajudar os cientistas a prever como os sistemas estelares evoluem ao longo de bilhões de anos. Isso inclui entender como os ambientes ao redor das estrelas podem permanecer favoráveis à vida. No entanto, é importante destacar que as conclusões atuais são baseadas em simulações computacionais e precisam ser testadas por observações mais precisas no futuro.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Astronomy e pode ter implicações significativas para a nossa compreensão da evolução das estrelas.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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