Sinal anômalo em detector de Dakota do Sul pode indicar a detecção de matéria escura
Físicos registraram um sinal anômalo em 16 de junho de 2023 através do experimento LUX-ZEPLIN, em Dakota do Sul. O evento, que pode indicar a detecção de matéria escura, apresentou uma partícula com massa superior a 200 vezes a de um próton. A descoberta possui significância estatística de 2,6 sigma e aguarda validação por dados adicionais e outros experimentos
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Um sinal anômalo registrado a 1,5 km de profundidade, em Dakota do Sul, atraiu a atenção de físicos que investigam a natureza da matéria escura. O evento, identificado como LZ230616, foi captado em 16 de junho de 2023 pelo experimento LUX-ZEPLIN (LZ), instalado no Sanford Underground Research Facility, sob as Black Hills.
Para minimizar a interferência de raios cósmicos, o detector opera protegido por 1.500 metros de rocha. No momento do registro, ocorreu simultaneamente um sinal elétrico e um brilho luminoso dentro do tanque de xenônio líquido, indicando uma colisão energética.
Características da anomalia
A análise dos dados aponta que a interação pode ter sido causada por uma partícula com massa superior a 200 vezes a de um próton. O comportamento desse sinal diverge dos eventos de fundo mapeados pelos cientistas ao longo de anos de operação do experimento. Sam Eriksen, pesquisador principal, destaca que a ocorrência aconteceu em uma região de parâmetros onde a taxa de ruído é extremamente baixa, sugerindo a possibilidade de se tratar de um fenômeno inédito.
Uma das hipóteses investigadas é que o sinal represente a detecção de WIMPs (partículas massivas de interação fraca). Essas partículas são candidatas à matéria escura, substância invisível que comporia cerca de 85% de toda a matéria do universo e que raramente interage com a matéria comum, exceto em colisões atômicas fortuitas.
Limitações e divergências teóricas
Apesar do achado, a comunidade científica mantém cautela devido à significância estatística de 2,6 sigma, valor consideravelmente inferior ao limiar de 5 sigma exigido para a confirmação de descobertas na física de partículas. Estima-se que haja uma probabilidade de 1 em 200 de que o sinal seja apenas uma flutuação ou um fenômeno de fundo raro.
Outro ponto de questionamento reside na energia do evento. Modelos convencionais indicam que, se a interação fosse causada por uma WIMP com essa massa, o detector deveria ter registrado anteriormente diversas colisões de menor energia, o que não ocorreu. Essa discrepância sugere a existência de cenários alternativos, como partículas com velocidades superiores às previstas ou mecanismos de interação não convencionais.
Próximos passos da investigação
Os resultados foram apresentados na conferência TeVPA 2026, no Japão, com a publicação do estudo prevista para a Physical Review Letters e o repositório arXiv.
Para validar a descoberta, a equipe do LUX-ZEPLIN analisará centenas de dias de dados adicionais em busca de eventos semelhantes. A confirmação dependerá também de observações de experimentos independentes, como o PandaX e o XENONnT. Caso o padrão seja reproduzido, a colisão registrada em Dakota do Sul poderá se tornar um dos principais indícios sobre a composição da matéria escura.