Sistema da Apple permite que robô humanoide navegue em casas desconhecidas com alta precisão
Pesquisadores da Apple desenvolveram o sistema HALO, que permitiu a um robô Unitree G1 navegar em casas desconhecidas com 91% de sucesso. O treinamento ocorreu em mil residências virtuais, capacitando a máquina a realizar tarefas como agachar e atravessar portas. O processamento é feito localmente por um *Mac mini M4 Pro

Um sistema de inteligência artificial chamado HALO, desenvolvido por pesquisadores da Apple, permitiu que um robô humanoide aprendesse a navegar em ambientes domésticos desconhecidos com alta precisão. O experimento, detalhado em estudo científico publicado em 4 de novembro de 2026, demonstrou que o treinamento em cenários virtuais é eficaz para a execução de movimentos físicos em locais onde a máquina nunca esteve.
Utilizando um modelo Unitree G1 modificado, a equipe alcançou 91% de sucesso em 360 tentativas de tarefas específicas. O robô foi testado em seis ambientes reais, onde precisou executar ações como sentar em cadeiras, rastejar sob mesas, empurrar caixas, agachar e atravessar portas parcialmente abertas.
Treinamento sintético e simulação
Para evitar a necessidade de operadores humanos conduzindo o robô em casas reais, os pesquisadores utilizaram o software Infinigen para criar mil residências virtuais. Esses espaços simulados apresentavam diversas distribuições de móveis, variações de iluminação e disposições de portas e paredes.
O HALO foi exposto a aproximadamente 300 horas de exemplos digitais e 162 mil episódios simulados, associando comandos a imagens e movimentos. Essa diversidade de cenários impediu que o sistema apenas decorasse plantas específicas, capacitando-o a reconhecer padrões e adaptar-se a móveis reais em locais não mapeados. A importância dessa variedade foi comprovada em um teste: quando o treinamento foi limitado a apenas uma casa virtual, a taxa de sucesso na tarefa de sentar caiu de 84% para 43%.
Desempenho técnico e limitações
A eficácia do sistema variou conforme a complexidade da tarefa nos ambientes físicos:
- Agachar sob obstáculos: 100% de acerto.
- Passar por portas entreabertas: 93% de acerto.
- Caminhar até objeto indicado: 92% de acerto.
- Rastejar sob mesas: 90% de acerto.
- Empurrar caixas: 88% de acerto.
- Sentar em cadeiras: 85% de acerto.
Entretanto, a performance declinou para 70% quando o robô precisou encadear múltiplas tarefas em sequência. Em testes de três etapas, a taxa de sucesso caiu para 50% na sequência que exigia agachar, caminhar até uma caixa e empurrá-la. As falhas ocorreram principalmente por erros de orientação; em alguns casos, o robô terminava um movimento virado para o lado oposto ao objetivo, perdendo a referência visual do objeto.
Arquitetura e processamento
O hardware do Unitree G1 foi equipado com uma câmera na cabeça, uma câmera de profundidade para estimativa geométrica e um Mac mini M4 Pro acoplado à parte traseira. Todo o processamento ocorre a bordo, eliminando a dependência de controle remoto.
O software opera em três níveis hierárquicos:
- Interpretação: Traduz pedidos em linguagem natural.
- Planejamento: Elabora a trajetória com base nas imagens captadas.
- Controle: Ajusta as 29 articulações do corpo, monitorando equilíbrio e distância de obstáculos.
Para gerar a base de dados sintéticos, a infraestrutura utilizou 250 processadores gráficos NVIDIA H100 durante 48 horas.
Apesar dos avanços na locomoção e postura, o sistema ainda possui limitações críticas, como a ausência de percepção tátil. O estudo, disponibilizado também no arXiv, foca em habilidades de movimentação e não demonstra capacidades de manipulação de pequenos objetos ou limpeza doméstica. Os pesquisadores liberaram o código e demonstrações do projeto, mas não anunciaram a comercialização de um produto doméstico.