Ciência

Sonda da Agência Espacial Europeia detecta indícios de atividade vulcânica no interior de Marte

06 de Novembro de 2026 às 18:01 2 min de leitura

Dados da sonda ExoMars TGO indicam possível atividade vulcânica em Marte devido à detecção de cloreto de hidrogênio em fissuras de Alba Mons. O estudo na revista Science Advances aponta que a liberação do gás ocorre sazonalmente no início do verão do hemisfério norte

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Sonda da Agência Espacial Europeia detecta indícios de atividade vulcânica no interior de Marte
MOLA/Nasa

Dados da sonda ExoMars TGO, da Agência Espacial Europeia (ESA), indicam que Marte pode manter atividade vulcânica em seu interior. A evidência central é a detecção de cloreto de hidrogênio na atmosfera, especificamente acima de fissuras localizadas na região de Alba Mons, um dos maiores vulcões do planeta vermelho.

O estudo, publicado nesta quarta-feira (04) na revista Science Advances, detalha que a liberação desse gás apresenta um padrão sazonal. Os picos de concentração ocorrem no início do verão do hemisfério norte marciano, coincidindo com a sublimação do gelo que, durante o inverno — com temperaturas próximas a -120°C —, bloquearia as aberturas no solo.

Evidências geológicas e atmosféricas

A análise de imagens da superfície revelou a existência de rachaduras estreitas, com centenas de metros de extensão, que apresentam alterações na coloração. O comportamento observado assemelha-se a sistemas vulcânicos da Terra, onde gases provenientes de regiões de magma quente escapam por aberturas na crosta.

Embora a sonda já tivesse identificado cloreto de hidrogênio em 2021, as variações anteriores eram atribuídas a ciclos de água e poeira. A nova descoberta diferencia-se por concentrar a emissão de gás sempre nos flancos de Alba Mons.

Implicações para a busca por vida

A confirmação de que o interior de Marte permanece aquecido altera a perspectiva sobre a habitabilidade do planeta. A interação entre o magma e a água subterrânea poderia criar nichos úmidos e quentes, protegidos das condições extremas da superfície, tornando-os locais prioritários para a busca por vida microbiana.

A hipótese de atividade geológica recente é reforçada por outros achados:

  • Registro de martemotos (tremores internos) por missões de superfície;
  • Imagens de áreas vulcânicas que sugerem atividade até alguns milhões de anos atrás.

Apesar dos indícios, os pesquisadores ressaltam que não há evidências de erupções em curso ou fluxos recentes de lava, tratando a origem vulcânica do gás como uma possibilidade que ainda requer confirmação.

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