Ciência

Sons de golfinhos-comuns provocam aversão e afastam orcas de suas áreas de circulação

03 de Agosto de 2026 às 13:17

Estudo da revista Scientific Reports indica que orcas abandonam áreas ao detectarem sons do golfinho-comum. Em 68% das interações registradas na Islândia, as orcas recuaram antes da chegada dos golfinhos. A reação inclui mudanças de direção, vocalizações e velocidades de até 25 km/h

Sons de golfinhos-comuns provocam aversão e afastam orcas de suas áreas de circulação
EFE/Asociación WeWhale/Cristina Otero

As orcas, reconhecidas como os principais predadores dos oceanos, alteram drasticamente seu comportamento ao detectarem a presença acústica do Globicephala melas, o golfinho-comum. Um estudo divulgado pela revista Scientific Reports revelou que sons emitidos por esse cetáceo menor provocam reações de aversão nas orcas, levando-as a abandonar áreas de circulação.

Dinâmica de interação e fuga

A análise de encontros documentados desde 2004 indicou que as orcas tendem a se afastar quando os golfinhos se aproximam. Entre 2007 e 2020, em águas da Islândia, foram registradas 24 interações entre as espécies, muitas delas em locais habitualmente frequentados pelas orcas.

Os dados mostram que, em 68% dessas ocasiões, as orcas recuaram antes mesmo de os golfinhos chegarem à sua posição. Em 28% dos casos, houve perseguições em alta velocidade, com ambos os grupos realizando saltos repetidos fora da água para reduzir a resistência hidrodinâmica. Nessas manobras, os animais atingiram a marca de 13,5 nós, o equivalente a 25 km/h.

Estímulos sonoros e reações

Para isolar a causa da fuga, a bióloga marinha Anna Selbmann e sua equipe utilizaram gravações dos sons do golfinho-comum próximas a orcas marcadas. A resposta dos predadores foi imediata: os grupos reduziram sua formação, modificaram as vocalizações, alteraram a direção do nado e aceleraram a movimentação.

A descoberta é intrigante porque as duas espécies não competem diretamente por alimento nem caçam uma à outra. Além disso, as orcas são capazes de predar animais como o tubarão branco para consumir órgãos ricos em nutrientes, como o fígado, o que torna a reação de medo diante de um animal menor ainda mais incomum.

Hipóteses sobre a aversão

Embora não existam registros de ataques físicos diretos de golfinhos contra orcas, a principal hipótese científica sugere que a perseguição coletiva seja o fator determinante. Nessa estratégia, os golfinhos se coordenam para hostigar o predador até expulsá-lo do local.

Outras possibilidades consideradas pelos pesquisadores incluem a proteção de filhotes ou a influência de interações ancestrais entre as espécies. Até o momento, a origem exata desse comportamento de retirada permanece sem uma explicação definitiva.

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