SpaceX planeja elevar a potência do motor Raptor 4 para 300 toneladas de empuxo
A SpaceX projeta que o motor Raptor 4 atinja 300 toneladas-força de empuxo ao nível do mar, mantendo a massa de 1.525 quilos. O equipamento visa aumentar a aceleração do foguete Starship e a capacidade de transporte de cargas em órbita

A SpaceX planeja elevar a potência de propulsão do seu futuro motor Raptor 4, com a meta de atingir 300 toneladas-força de empuxo ao nível do mar. O projeto, apresentado por Elon Musk em 26 de outubro de 2026, busca aumentar a capacidade de aceleração do foguete Starship sem elevar o peso do equipamento, mantendo a massa de aproximadamente 1.525 quilos observada na geração anterior.
Se concretizada, a evolução representará um salto de 20% em relação ao Raptor 3, que opera com 250 toneladas-força. Quando comparado ao Raptor 1 — que produzia 185 toneladas-força e pesava 2.080 quilos —, o novo motor poderá registrar um crescimento de 62% no empuxo e uma redução de 27% na massa total.
Evolução técnica e eficiência estrutural
O ganho de desempenho não se limita à força da queima de combustível, mas envolve a simplificação da construção. A empresa integrou sensores e controladores ao motor, utilizando soluções térmicas incorporadas que eliminam a necessidade de proteções externas.
Essas modificações nas conexões e equipamentos auxiliares permitiram que a massa do motor caísse de 1.630 quilos (versão 2) para 1.525 quilos (versão 3). Somadas às alterações na estrutura do veículo, a economia total pode chegar a uma tonelada por motor.
Sobre o funcionamento do sistema, um estudo do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), publicado na revista Acta Astronautica em 2026, detalha que o motor utiliza um ciclo de combustão em estágios com fluxo total. Nesse processo, o metano líquido e o oxigênio líquido operam as turbobombas antes de serem consumidos na câmara principal.
Impacto no sistema Starship
A aplicação do Raptor 4 no propulsor Super Heavy, que utiliza 33 motores, elevaria a soma nominal de empuxo para aproximadamente 9.900 toneladas-força. Esse valor é quase três vezes superior às 3.400 toneladas-força geradas pelo foguete Saturn V, das missões Apollo, que utilizava cinco motores F-1.
A maior potência visa ampliar a capacidade de colocar cargas pesadas em órbita, com a perspectiva de transportar mais de 100 toneladas em configurações reutilizáveis. Essa capacidade de carga é fundamental para projetos como a estação espacial Starlab, com acordo de lançamento firmado em abril de 2026.
Desafios operacionais e missões lunares
Apesar do avanço teórico, a confiabilidade do sistema segue sob teste. No 12º voo experimental do Starship, realizado em 22 de maio de 2026 com motores Raptor 3, um dos propulsores desligou durante a subida e o veículo apresentou dificuldades na manobra de retorno, resultando em um impacto na água mais forte do que o previsto.
Essa tecnologia também é a base do Human Landing System (HLS), veículo de pouso lunar contratado pela NASA para as missões Artemis. No entanto, um relatório de março de 2026 do Escritório do Inspetor-Geral da NASA alertou para dificuldades técnicas e de cronograma, especialmente quanto à necessidade de transferir combustível entre naves em órbita.
Atualmente, a meta de 300 toneladas-força do Raptor 4 permanece como uma projeção de desenvolvimento. A SpaceX ainda precisa validar a estabilidade da combustão, a resistência térmica e a compatibilidade do motor com o Super Heavy em condições reais de voo, enquanto enfrenta a concorrência de veículos como o New Glenn, da Blue Origin.