Ciência

Startup desenvolve tratamento injetável que visa retardar o envelhecimento por meio do fluxo sanguíneo

30 de Agosto de 2026 às 06:27 4 min de leitura

A startup Generation Lab criou o 1 Generation, tratamento injetável composto por dois medicamentos genéricos para retardar o envelhecimento via fluxo sanguíneo. A terapia é aplicada a um grupo restrito sob supervisão médica, aguardando a realização de um ensaio clínico com cem ou mais participantes. A empresa mantém sigilo sobre as substâncias utilizadas para evitar cópias

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Startup desenvolve tratamento injetável que visa retardar o envelhecimento por meio do fluxo sanguíneo
Pexels - Cottonbro Studio

A startup Generation Lab desenvolveu o 1 Generation, um tratamento injetável que visa retardar o envelhecimento por meio da atuação no fluxo sanguíneo. A terapia, que combina dois medicamentos genéricos já existentes, busca bloquear a progressão do envelhecimento circulatório, reativar a capacidade de reparo do organismo e restaurar a saúde de diversos tecidos.

Atualmente, a empresa aplica a terapia em um grupo restrito de pessoas, incluindo jornalistas de biomedicina e colaboradores, sob supervisão médica, antes de iniciar um ensaio clínico com cem ou mais participantes. A diretora geral da companhia, Alina Su, afirma que a demanda é alta, com listas de espera compostas por celebridades e figuras públicas.

A base científica e a evolução do método

O desenvolvimento do tratamento é liderado por Irina Conboy, pesquisadora com histórico nos estudos de parabiose — técnica que une os sistemas circulatórios de animais jovens e velhos para observar a regeneração. Em 2005, durante seu período na Universidade da Califórnia em Berkeley, Conboy constatou que a conexão entre ratos jovens e idosos melhorava a capacidade de cura dos animais mais velhos, sugerindo que o sangue jovem possui sinais moleculares regenerativos.

Contudo, a ciência também demonstrou que o plasma de animais idosos exerce efeitos negativos sobre os jovens. Para contornar a impossibilidade de conectar humanos a doadores jovens, Conboy testou, em 2020, a remoção do plasma de animais velhos, substituindo-o por uma mistura de água salgada e albumina. Esse "apagão" de moléculas associadas ao envelhecimento produziu resultados de rejuvenescimento superiores ao uso de sangue jovem.

Essa abordagem foi posteriormente testada em humanos, com a remoção de grande parte do volume sanguíneo, chegando a ser comercializada por clínicas de longevidade por até 10 mil dólares por sessão.

Mecanismo de ação e relatos preliminares

Após deixar Berkeley no final de 2025 para se dedicar à Generation Lab, Conboy utilizou um sistema de triagem microfluídico para analisar como células humanas reagem ao soro de pessoas idosas. O objetivo foi identificar a combinação de moléculas capaz de manter o tecido jovem mesmo em um ambiente circulatório envelhecido.

O 1 Generation atuaria em duas frentes: a neutralização de fatores de envelhecimento no sangue e o estímulo à regeneração celular. Relatos de quem já utilizou a combinação incluem:

  • Melhorias físicas: Aumento da força de preensão, melhora na visão (em paciente de 64 anos), maior resistência para atividades físicas e melhora na função erétil.
  • Bem-estar geral: Relatos de maior energia, clareza mental, eliminação de dores crônicas e regularização intestinal.

O médico Matt Cook, da BioReset Medical, que prescreveu a terapia para Conboy e outros voluntários, admitiu ceticismo inicial por se tratar de fármacos que não são originalmente destinados à longevidade, mas relatou ter sentido efeitos reais de clareza mental após as aplicações semanais.

Questionamentos e falta de transparência

Apesar do entusiasmo, a metodologia da Generation Lab enfrenta críticas. A empresa mantém sigilo sobre a identidade dos dois medicamentos utilizados para evitar cópias, já que as moléculas não são patenteadas. A estratégia é buscar a exclusividade temporária junto à FDA ao demonstrar um novo uso para a combinação.

Essa falta de transparência impede a avaliação científica independente da plausibilidade do tratamento. Além disso, há questionamentos sobre a imparcialidade do futuro ensaio clínico, que será conduzido por médicos ligados ao ecossistema de biohacking do Vale do Silício. Entre eles está Matt Cook, cujo histórico inclui a recomendação de terapias contra a Covid-19 classificadas como fraudulentas pela FDA, como a inalação de líquido amniótico.

Jeffrey Gladden, médico de longevidade do Texas e futuro colaborador do estudo, define a situação como uma incógnita, equilibrando o ceticismo com o otimismo baseado no histórico acadêmico de Conboy.

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